Endometriose e nervos: qual é a relação?

 


A endometriose é uma doença caracterizada pelo desenvolvimento de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina. Estima-se que ela afete uma em cada dez mulheres. Entre os sintomas mais frequentes estão as cólicas menstruais e a dor durante a relação sexual, especialmente na penetração profunda.

Os locais mais frequentemente afetados são as trompas, os ovários, o intestino e a bexiga. No entanto, a doença também pode atingir outras estruturas da pelve, incluindo os nervos.

No Increasing, recebemos dúvidas frequentes sobre a relação entre endometriose e acometimento nervoso. A seguir, respondemos às principais perguntas sobre o tema.

A endometriose pode atingir os nervos?

Sim. Durante muito tempo, o acometimento dos nervos pela endometriose foi considerado raro. Estudos mais recentes na área da Neuropelveologia, porém, mostram que essa condição pode ser mais frequente do que se imaginava.

A endometriose pode alcançar os nervos sacrais ao infiltrar os ligamentos que conectam o útero às paredes da pelve. Quando isso acontece, podem surgir sintomas como dor na região vaginal, no ânus ou na parte posterior da perna, acompanhando o trajeto do nervo ciático.

Quais nervos podem ser afetados?

Qualquer nervo que atravesse a pelve pode ser acometido pela endometriose.

Entre os casos descritos na literatura médica e observados na prática clínica estão o comprometimento dos nervos pudendo e ciático e das raízes sacrais, que são ramificações da medula espinhal responsáveis pela formação de diversos nervos periféricos.

A endometriose também pode envolver os nervos autonômicos, responsáveis pelo controle de funções como a bexiga e o intestino. Nesses casos, podem ocorrer dor e alterações no controle da urina e das fezes.

Como saber se a dor no nervo ciático pode estar relacionada à endometriose?

Os sintomas podem se parecer bastante com aqueles provocados por problemas de coluna. A mulher pode apresentar dor, queimação ou formigamento no glúteo e na parte posterior da perna.

Um sinal de atenção é a associação desses sintomas com manifestações típicas da endometriose, como cólicas menstruais e dor durante a relação sexual.

Outro aspecto importante é a relação com o ciclo menstrual. Quando a dor ciática piora durante a menstruação e melhora significativamente ou desaparece após esse período, é importante investigar a possibilidade de endometriose envolvendo o nervo ciático.

É possível ter endometriose nos nervos sem apresentar sintomas?

A endometriose pode ser assintomática. Entretanto, quando existe acometimento dos nervos, os sintomas tendem a ser mais intensos e característicos, justamente porque essas estruturas desempenham funções sensoriais e motoras importantes.

A endometriose pode causar uma lesão permanente no nervo?

Sim. Os nervos são estruturas delicadas, protegidas por tecidos que auxiliam sua movimentação e por estruturas como a bainha de mielina, fundamental para o funcionamento adequado dos neurônios.

A infiltração causada pela endometriose pode comprometer essas estruturas e alterar a função do nervo, provocando prejuízos sensoriais e motores.

Em situações mais avançadas, a doença pode infiltrar o nervo e provocar danos aos axônios dos neurônios, o que pode resultar em perdas funcionais permanentes.

Como é tratado o acometimento dos nervos pela endometriose?

O tratamento depende da avaliação individual de cada caso.

Os tratamentos hormonais podem controlar os sintomas da endometriose, mas não necessariamente impedem a progressão da doença. Quando existe comprometimento dos nervos, a abordagem cirúrgica pode ser necessária para interromper a progressão da lesão e preservar a função nervosa.

Por isso, o diagnóstico adequado e a avaliação especializada são fundamentais para definir a melhor estratégia de tratamento.

Endometriose tem cura?

Esse é um tema que ainda gera diferentes entendimentos entre especialistas.

No Increasing, consideramos que a retirada completa dos nódulos de endometriose pode levar à cura da doença de base. Entretanto, a dor crônica provocada pela endometriose pode produzir alterações no sistema nervoso, na musculatura e na postura, fazendo com que alguns sintomas persistam mesmo após o tratamento da doença.

Por esse motivo, casos mais complexos podem exigir uma abordagem multiprofissional.

Por que algumas mulheres continuam sentindo dor mesmo depois da cirurgia?

A endometriose pode ser responsável pelo início do processo doloroso, mas a dor crônica também pode desencadear alterações no sistema nervoso, nos músculos e em outros mecanismos relacionados à percepção da dor.

Assim, em algumas situações, a cirurgia pode tratar adequadamente as lesões de endometriose, mas não eliminar completamente a dor.

Nesses casos, é importante investigar outros fatores envolvidos na manutenção do quadro doloroso e contar com uma equipe multidisciplinar especializada no tratamento da endometriose e da dor.

No Increasing, essa abordagem integrada reúne profissionais de diferentes áreas para oferecer uma avaliação individualizada e um tratamento direcionado às necessidades de cada paciente.