Como diferenciar candidíase de repetição e secreção vaginal?

 



A candidíase de repetição é um dos tipos de corrimento vaginal dentre os mais comuns que afetam a saúde íntima de muitas mulheres e podem gerar desconforto.

 

A candidíase de repetição, também conhecida como candidíase recorrente, é caracterizada por infecções repetidas da vagina causadas pelo crescimento excessivo do fungo Candida albicans. Os sintomas mais comuns são coceira intensa, vermelhidão, inchaço, ardência durante a micção e dor durante a relação sexual. Também pode haver a presença de um corrimento branco, espesso e sem cheiro.

 

As causas da candidíase de repetição podem incluir fatores como sistema imunológico enfraquecido, uso de antibióticos, uso prolongado de corticosteroides, diabetes mal controlado, variações hormonais, entre outros. É importante ressaltar que a candidíase de repetição não é considerada uma doença sexualmente transmissível.

 

O tratamento da candidíase de repetição envolve a adoção de medidas comportamentais que reduzam o crescimento excessivo do fungo, bem como o uso de antifúngicos tópicos ou orais prescritos por um médico, que também pode recomendar mudanças no estilo de vida, como evitar o uso de produtos perfumados na região genital, usar roupas íntimas de algodão, manter uma higiene adequada e até fazer adaptações na dieta

 

Por outro lado, o termo “secreção vaginal” refere-se ao líquido ou umidade normalmente presente na vagina e que pode variar em quantidade, cor e consistência ao longo do ciclo menstrual. Uma secreção vaginal saudável é geralmente transparente ou branca e pode ter uma textura leitosa ou pegajosa. No entanto, quando ocorre com uma cor incomum, odor forte, coceira, ardência ou dor, pode ser um sinal de infecção ou desequilíbrio da flora vaginal.

 

Existem várias causas de corrimento vaginal, como infecções bacterianas, infecções fúngicas, doenças sexualmente transmissíveis, alterações hormonais, irritações químicas ou físicas, entre outras. É importante consultar um médico para um diagnóstico preciso e tratamento adequado, que pode demandar o uso de medicações como antibióticos, uso de cremes e, ainda, medidas de cuidados locais.

 

Em qualquer caso de alteração de secreção vaginal, com corrimentos sugestivos de candidíase ou outras condições, é importante consultar um médico para um diagnóstico preciso e tratamento adequado. O Increasing conta com ginecologistas e toda uma equipe multidisciplinar para auxiliar a paciente no que for preciso, a fim de oferecer mais qualidade de vida. Por isso, não tenha receio ou vergonha, busque ajuda profissional e tire todas as suas dúvidas sobre saúde íntima e o seu corpo.

 

Reabilitação pós COVID-19 e Fisioterapia Cardiorrespiratória

 

A COVID-19 promove lesões importantes nos tecidos pulmonares que impedem em grande parte que o oxigênio entre no organismo de forma correta para a produção de energia. 

A falta de energia interfere diretamente nos músculos e nos órgãos do nosso corpo. Logo, temos uma perda funcional importante no organismo promovida pela doença.

Dentre essas perdas, temos no sistema pulmonar a redução de força muscular respiratória, tanto dos volumes quanto da capacidade do órgão. 

No sistema cardiovascular, o paciente relata dificuldade em realizar atividades mais simples, como escovar os dentes ou tomar banho. Em casos como esses tais atos simples promovem a fadiga. 

Já no sistema musculoesquelético são observados diminuição da força, equilíbrio e limitação dos movimentos. 

O papel da Fisioterapia Cardiorrespiratória

Em cenários semelhantes ao relatado anteriormente, a Fisioterapia Cardiorrespiratória apresenta um papel fundamental para a reabilitação e sucesso de tratamento deste individuo. 

Para tanto, sua intervenção inicia-se ainda durante a fase de internação, com exercícios respiratórios, administração e controle de oxigenoterapia e, quando necessário, o uso e controle de ventilação mecânica, sempre com o objetivo de atenuar os sinais, sintomas e sequelas funcionais decorrentes da doença na fase inicial.

Com a melhora do individuo, havendo redução ou ausência dos sintomas iniciais – além da retirada das próteses ventilatórias, quando necessárias –, é iniciado um programa de reabilitação de forma intensiva. 

Este processo é conhecido como Reabilitação pós COVID, e inicia-se na alta da unidade de terapia intensiva (no caso dos indivíduos que necessitam) ou das enfermarias. O procedimento perdura até que o individuo atinja os objetivos propostos na construção do plano de tratamento.

O plano é composto de exames específicos e de uma avaliação criteriosa realizada pelo  fisioterapeuta cardiorrespiratório. 

Com o resultado em mãos, o profissional traça em conjunto com o indivíduo os objetivos e metas iniciais, a médio e longo prazo, e os meios que serão utilizados para alcançar os efeitos propostos pelo tratamento.

Este tratamento pode durar de seis semanas a aproximadamente um ano nos casos mais graves da doença. Ele é composto inicialmente por exercícios respiratórios que aumentem a força muscular, o volume e a capacidade pulmonar. Para tanto, podem ser utilizados os incentivadores respiratórios como, por exemplo, o Power Breathe®, durante os exercícios com os membros superiores e inferiores.

Havendo progresso, são incluídos exercícios mais intensos, específicos para membros inferiores e superiores, sempre associando aos exercícios respiratórios e ao uso dos incentivadores respiratórios. 

Nesta fase é inserido também, como parte da sessão de terapia, a inclusão de cicloergômetros (bicicletas) e/ou caminhadas em ambiente fechado (esteira) ou em ambiente aberto, por exemplo, em parques. 

Acompanhamento do fisioterapeuta cardiorrespiratório

Para controlar as atividades e verificar se estão promovendo o efeito terapêutico esperado, o fisioterapeuta cardiorrespiratório acompanha o indivíduo com monitoramento ostensivo da frequência cardíaca e respiratória, da pressão arterial, da saturação de oxigênio e também da fadiga – este último item pode ser medido por escalas especificas como a de Esforço Percebido de BORG, durante toda a atividade para a segurança e eficácia do tratamento. 

Estes parâmetros são calculados pelo profissional visando ao ganho de capacidade e de condicionamento cardiorrespiratório de forma individualizada. 

Com o tempo e progressão das fases estipuladas na construção do tratamento, o indivíduo é ensinado a realizar esse acompanhamento de forma remota e enviar os dados ao profissional por meio de relatórios diários, semanais ou quinzenais. Este processo é conhecido como desmame do terapeuta. 

Cabe ressaltar que este desmame é realizado na fase final do tratamento e que, além deste modelo, temos o acompanhamento remoto realizado por videoconferência (autorizada pela Resolução nº 520 do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, de 20 de março 2020). 

Na fase inicial do tratamento pode haver algumas sessões por videoconferência, mas o indivíduo precisa comparecer a sessão para monitorização, aprendizado e correção dos exercícios promovidos pelo profissional.

Portanto, a reabilitação pós COVID-19 é fundamental para reorganização e melhora das funções perdidas pela doença. O fisioterapeuta cardiorrespiratório tem os meios para reestabelecer o quanto antes tais funções. 

O Increasing oferece este tratamento todo pautado nas diretrizes e guidelines mais atuais presente na literatura mundial sobre o assunto.

Por  Dr. Wellington Contiero – Fisioterapeuta Cardiorrespiratório – CREFITO3 – 129804-F

Referências: 

AGOSTINI F, et al. Rehabilitation setting during and after Covid-19: An overview on recommendations. J Rehabil Med. 2021. PMID: 33284353

DAVIES, R.M.B et al., The Stanford Hall consensos statement for pos-COVID-19 reabilitation, BRJ Sport Med. Aug; 2020.

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DRWAL KR, et al. Cardiac Rehabilitation During COVID-19 Pandemic: Highlighting the Value of Home-Based Programs. Telemed J E Health. 2020. PMID: 32552412

GRIGOLETTO I, et al.. Recovery after COVID-19: The potential role of pulmonary rehabilitation. Braz J Phys Ther. 2020. PMID: 32723665

HERMANN M, et al. Feasibility and Efficacy of Cardiopulmonary Rehabilitation After COVID-19. Am J Phys Med Rehabil. 2020. PMID: 32732746

PETERS RJG , Cardiac rehabilitation and telemedicine (and COVID-19).

. Neth Heart J. 2020. PMID: 32671651

SAKAI T, et al, Remote rehabilitation for patients with COVID-19. J Rehabil Med. 2020. PMID: 32871014

TOZATO, C et al, Reabilitação cardioplumonar em pacientes pós-COVID-129: série de casos. Ver, Bras. Terapia Inteniva, 33 (1) Jan-Mar, 2021

ZHA L, et al. Modified rehabilitation exercises for mild cases of COVID-19, Ann Palliat Med.. 2020 Sep;9(5):3100-3106




Relação entre obesidade, IDH e COVID-19 na América Latina


Foi publicado no início deste ano, na Science World Publishing, o artigo "Human Development Index: Major Factor for COVID-19 Course in Latin America at First 3 Months of Pandemic", elaborado pelo Dr. Marcos Tobias Machado, urologista, e pela Luisa Machado.

O estudo, elaborado em inglês, é crucial para compreendermos um pouco mais do panorama da pandemia a nível continental, aborda a trajetória do COVID-19 nos primeiros três meses de pandemia na América Latina. 

A pesquisa desenvolvida pelos profissionais considera como ponto de partida a obesidade e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) como fatores que afetam o número de casos e mortes da doença.

Para conferir o estudo completo, acesse este link.



 


Abordagem nutricional em pacientes com câncer no contexto da COVID-19



Como é do conhecimento de todos, a disseminação da COVID-19 surgiu de uma pandemia originada na cidade de Wuhan, China, em dezembro de 2019.

Desde então, observou-se que algumas pessoas infectadas com COVID-19 desenvolvem um desequilíbrio nas reações imunológicas, prejudicando a resposta contra o vírus e aumentando de forma exagerada a resposta inflamatória, podendo causar danos aos tecidos saudáveis.

Em alguns casos, esses danos são responsáveis pela síndrome respiratória aguda grave do coronavírus 2 (SARS-COV2), levando a uma síndrome respiratória aguda, que pode ser fatal. 

Nutrição no contexto da COVID-19

Hábitos alimentares inadequados e obesidade, entre outros fatores, predispõem a um estado pró-inflamatório prévio, podendo ter um papel crucial no prognóstico e na evolução da doença. 

Pacientes em tratamento oncológico têm maior comprometimento da imunidade, sendo mais suscetíveis a adquirir infecções, o que acarreta em maior risco de desenvolver formas mais graves da COVID-19. 

Outra preocupação que envolve pacientes com câncer é que estes já apresentam uma exacerbação do estado inflamatório, devido ao tumor maligno. 

Uma vez que um estado pró-inflamatório pode piorar o prognóstico da COVID-19, a modulação da inflamação sistêmica por meio de modificações dietéticas e nutricionais pode ser benéfica, prevenindo as sequelas clínicas de COVID-19. 

Abordagens nutricionais preventivas

Hábitos alimentares saudáveis, introdução de alimentos anti-inflamatórios e com propriedades antioxidantes e funcionais e algumas suplementações específicas de nutrientes e compostos, bem como prevenção da obesidade, tem se mostrado como as abordagens preventivas mais racionais para controlar a hiperinflamação e melhorar a função imunológica. Tudo isso ajuda a reduzir o risco de várias doenças e infecções. 

Modificações dietéticas para prevenir a desnutrição e perda excessiva de peso e massa muscular, bem como prevenir e reduzir a obesidade, são as abordagens preventivas tradicionais mais eficazes no controle da hiperinflamação, melhorando o sistema imunológico. 

Abordagens nutricionais que promovem efeitos anti-inflamatórios devem ser recomendadas para todos os pacientes com câncer, a fim de reduzir os danos fisiológicos dos estados pró-inflamatórios e a carga de doenças crônicas e, secundariamente, prevenir e minimizar a gravidade da COVID-19.

A abordagem nutricional para prevenção do agravamento da COVID-19, principalmente em pacientes com câncer durante o tratamento antineoplásico inclui práticas dietéticas saudáveis, com destaque aos alimentos anti-inflamatórios, alimentos ricos em ômega-3, uso de pré e probióticos e suplementação de vitamina D.

Todos esses aspectos, somados a outros hábitos de qualidade de vida, são importan-tes para reduzir o risco do agravamento da COVID-19. O ideal é buscar a orientação de profissionais especialistas na área.

Por Dra. Adriana Garófolo, especialista em Nutrição da Equipe Increasing - CRN: 10744

Artigo adaptado de “Adriana Garófolo , Lyon Qiao & Priscila dos Santos Maia-Lemos (2020): Approach to Nutrition in Cancer Patients in the Context of the Coronavirus Disease 2019 (COVID-19) Pandemic: Perspectives, Nutrition and Cancer, DOI: 10.1080/01635581.2020.1797126”

Link para o artigo original aqui.

Lesão medular e Fisioterapia Cardiorrespiratória em tempos de COVID-19



A lesão medular causa impacto direto na vida do indivíduo de uma forma geral, independente do seu nível de lesão, seja ela cervical, torácica e lombar e de sua topografia tetraplegia e paraplegia. Nesses casos o fator cardiorrespiratório é um dos danos mais importantes. Sabe-se que esta deficiência adquirida reduz o trabalho cardíaco e, consecutivamente, o respiratório, promovendo assim limitação na força e na resistência de itens preponderantes para a independência diária da pessoa com lesão medular.

A Fisioterapia Cardiorrespiratória visa exatamente trabalhar estes pontos. Tange-se inicialmente a capacidade cardiopulmonar que o paciente apresenta no início das atividades, e com estas informações o profissional executa cálculos e traça o plano terapêutico, podendo objetivar exercícios específicos que visam ao aumento destas capacidades e melhora na execução de atividades da vida diária.

É importante salientar que estes indivíduos podem vir a apresentar infecções mais facilmente, por exemplo gripes e resfriados, o que ocasiona aumento de secreção pulmonar e acúmulo da mesma por não ter tosse eficiente, favorecendo assim a colonização de microorganismos e a inflamação pulmonar — descrita como pneumonia.

Podemos observar a importância e o impacto da Fisioterapia Cardiorrespiratória no cenário em que o mundo se encontra acometido pela COVID-19, infecção viral grave que pode vir a provocar Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, do inglês: “Severe Acute Respiratory Syndrome”), uma pneumonia mais agressiva que afeta a maioria do pulmão. Ela repercute com diminuição do que chamamos de ventilação pulmonar, ou seja, a entrada e saída de ar ficam diminuídas por acúmulo de secreção dentro dos alvéolos. Este acúmulo é promovido pela COVID-19 de forma rápida em algumas pessoas, podendo denotar a gravidade e, nos casos mais críticos, a morte.

Como forma de prevenção, deve-se seguir as medidas profiláticas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, como cultivar os hábitos saudáveis e manter a prática de exercícios, mesmo que à domicilio ou monitorados pelo profissional responsável.

Nos indivíduos com lesão medular, a prática de exercícios deve ser monitorada por um profissional capacitado. No caso do Fisioterapeuta Cardiorrespiratório, ele irá ajudar a manter a saúde do pulmão e do coração em dia, pois os exercícios promovem aumento do sistema imunológico, redução do trabalho cardíaco e aumento do volume de sangue expulso pelo órgão, limpeza das vias aéreas, fortalecimento dos músculos responsáveis pela respiração, ganho de volume e capacidade pulmonar; logo ganha-se em oxigenação.

O oxigênio auxilia na produção de energia e ajuda a reduzir a ação bacteriana em conjunto com o sistema imunológico. Ao colocar mais oxigênio no organismo pelos pulmões, por conseguinte, ficará mais fácil a produção de energia e o aumento de células do sistema imunológico.

Portanto, a Fisioterapia Cardiorrespiratória é fundamental para colaborar na profilaxia contra o Coronavírus, promovendo ganhos estruturais e fisiológicos no coração e pulmão dos indivíduos com lesão medular.

Por Wellington Contiero

O especialista em Fisioterapia Cardiorrespiratória da Equipe Increasing vem atuado em um grupo com o intuito de desenvolver respiradores mecânicos de baixo custo pela Universidade de Ourinhos (SP). Confira os resultados dessa a iniciativa aqui >>> https://glo.bo/2TDiJ77


Referências Bibliográficas: 

DRAGHICI AE, TAYLOR JA. Cardiovagal baroreflex gain relates to sensory loss after spinal cord injury. Anatomic Neurocience: Basic e Clinical, 2020 Mar 23;226:102667. doi: 10.1016/j.autneu.2020.102667

ATWOOD J.A, NIELSEN D. H., Scope of Cardiac Rehabilitation, PHYSICAL THERAPY, ac Volume 65 / Number 12, December 2006.

HERDY AH, E COLS, Diretriz Sul-americana De Prevenção e Reabilitação Cardiovascular , Arquivos Brasileiros de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Cardiologia, ISSN – 0066-782X, Vol. 103, nº2, supl.1, Agosto de 2014.

GALEIRAS VÁZQUEZ R E COLS. , Respiratory management in the patient with spinal cord injury. Biomed Research International. 2013;2013:168757. doi: 10.1155/2013/168757. Epub 2013 Sep 9.

PRÜSS H E COLS, Spinal cord injury-induced immunodeficiency is mediated by a sympathetic-neuroendocrine adrenal reflex. Nature Neurosciense. 2017 Nov;20(11):1549-1559. doi: 10.1038/nn.4643. Epub 2017 Sep 18.

MILLING S, EDGAR JM. How T'reg-ulate healing of the injured spinal cord?, Immunology. 2019 Dec;158(4):253-254. doi: 10.1111/imm.13148.

STILLMAN MD E COLS, COVID-19 and spinal cord injury and disease: results of an international survey., Spinal Cord Ser Cases. 2020 Apr 15;6(1):21. doi: 10.1038/s41394-020-0275-8.

HUI KPY E COLS, Tropism, replication competence, and innate immune responses of the coronavirus SARS-CoV-2 in human respiratory tract and conjunctiva: an analysis in ex-vivo and in-vitro cultures., Lancet Respir Med. 2020 May 7. pii: S2213-2600(20)30193-4. doi: 10.1016/S2213-2600(20)30193-4. [Epub ahead of print]

ZHANG B E COLS, Reducing age-dependent monocyte-derived macrophage activation contributes to the therapeutic efficacy of NADPH oxidase inhibition in spinal cord injury. Brain Behavior Immunology. 2019 Feb;76:139-150. doi: 10.1016/j.bbi.2018.11.013. Epub 2018 Nov 16.

Nutrição durante a pandemia de Coronavírus



A pandemia de Coronavírus (COVID-19) está preocupando o mundo todo. Nesse momento delicado, temos mais tempo para refletir e oportunidade para mudar alguns aspectos da rotina, especialmente os hábitos alimentares.

A alimentação saudável é fundamental para a saúde em todos os estágios da vida, e é especialmente importante para manter o sistema imunológico em ótimas condições, tornando-se uma ferramenta de prevenção, mas não de cura da COVID-19. Pensando nisso, a Associação Brasileira de Nutrição (ASBRAN) lançou o “Guia Para Uma Alimentação Saudável em Tempos de Covid-19”, que traz diversas dicas para compras, higienização, congelamento e armazenamento de alimentos, entre outras informações. BAIXE O GUIA AQUI 

A  Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO)  orienta a todos que fortaleçam seu sistema imunológico por meio de uma dieta saudável e consciente, evitando desperdícios. O órgão também fornece recomendações para mitigar os efeitos da pandemia na segurança alimentar e nutricional da população:

Fortaleça seu sistema imunológico por meio da alimentação

Aumente o consumo de frutas (pelo menos cinco porções por dia), pois contêm vitaminas A e C, além de antioxidantes, que ajudarão a combater possíveis infecções. Coma legumes (pelo menos três vezes por semana), já que apresentam boa durabilidade, são baratos e ajudarão a mantê-lo saudável, pois são ricos em proteínas e ferro.

Não basta comprar alimentos não perecíveis

Em vez de comprar em grande quantidade alimentos não perecíveis, como macarrão e arroz, compre frutas e legumes! Você comprou frutas e vegetais extras? Não tem problema: higienize, corte e congele. Eles estarão disponíveis para uma próxima preparação. Prefira legumes e frutas em vez de biscoitos, lanches e doces.

Limite as compras de produtos industrializados, como batatas fritas, refrigerantes, biscoitos e sorvetes. Esses alimentos são ricos em calorias e pobres em vitaminas e minerais.
Evite comprar refeições prontas industrializadas, pois a maioria é rica em sódio, gordura trans e calorias.

Planeje sua compra

Compre o que for necessário e justo. Este não é apenas um ato de empatia com outros consumidores que também precisam dos produtos, mas ajuda a evitar o desperdício de alimentos e melhora a economia da sua casa.

Minimize a ida aos centros de abastecimento durante a pandemia. Em caso de extrema necessidade, faça uma lista de compras e use-a. Você pode esquecer itens ou comprá-los por impulso.
Faça compras em horários alternativos ou no sistema online, isso economiza tempo e contribui para o distanciamento social, tão importante neste momento. Não deixe de comprar com antecedência, pois muitas lojas precisam de um ou dois dias desde o pedido até a entrega.

Não jogue fora suas sobras

Se você cozinhar demais, congele suas refeições, evitando o desperdício, além de ter uma preparação pronta para outra ocasião, sem muito esforço. Lembre-se: os alimentos devem estar em boas condições para consumi-los.

Beba bastante água

Beba pelo menos dois litros de água por dia para se manter hidratado. É importante consumir água potável de boa procedência, filtrada, fervida ou tratada com hipoclorito de sódio, previamente ao consumo.

Faça seu orçamento render

Dê preferência à água no lugar dos refrigerantes e sucos industrializados, pois são ricos em açúcares e pobres em vitaminas e minerais, além de serem mais caros.  Dê uma boa olhada no que você tem na despensa e na geladeira. Compre os produtos de acordo com a duração, considerando alternativas de baixo custo e faça o consumo de alimentos de forma integral.

Cozinha em família

O confinamento também é uma oportunidade de cozinhar, de introduzir as crianças nessa atividade para que aprendam hábitos alimentares saudáveis desde pequenos, promovendo educação e diversão!.

Podemos também destacar a importância das boas práticas na manipulação dos alimentos, com intuito de prevenir a propagação da COVID19. Alguns cuidados como evitar o consumo de frutas no supermercado ou nas feiras livres, além da aquisição de alimentos porcionados para consumo imediato, podem diminuir o risco de contágio. Prefira a compra de produtos inteiros e realize a higienização prévia ao consumo.

Alimentos não perecíveis como pacotes plásticos de arroz, feijão e macarrão devem ser limpos com álcool 70%. Latarias podem ser higienizadas com água corrente e sabão. Alimentos in natura, como frutas, verduras e legumes, devem ser lavados em agua corrente e em seguida, higienizados em solução clorada (1 colher de sopa de água sanitária em 1 litro de água) por 15 minutos. Em seguida, enxague abundantemente. Após este procedimento os alimentos estarão prontos para o consumo ou o armazenamento em recipiente limpo e tampado.

Por Camila Lucena, Nutricionista - CRN3 14052

Referências

www.asbran.org.br/storage/arquivos/guiaCOVID19.pdf

nacoesunidas.org/fao-dicas-de-uma-alimentacao-saudavel-para-enfrentar-a-crise-da-covid-19/

portal.anvisa.gov.br/documents/219201/4340788/NT+18.2020+-+Boas+Pr%C3%A1ticas+e+Covid+19/78300ec1-ab80-47fc-ae0a-4d929306e38b

Cuidados com pessoas com deficiência e higienização de equipamentos e aditamentos



No Brasil há cerca de 16 milhões de pessoas com deficiência, e desses, estima-se que há um milhão somente na cidade de São Paulo, de acordo com revisão feita nos dados de 2017 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), citado pelo Governo do Estado.

Essas pessoas apresentam maior probabilidade de chance de contrair o novo coronavírus, e uma parte delas também está no grupo de risco da covid-19, em razão das fragilidades físicas, notadamente aquelas que resultam em insuficiência e/ou dificuldade respiratória. Por isso a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SNDPD) publicou uma cartilha com esclarecimentos sobre o novo coronavírus. Clique aqui para acessar.

A possibilidade de contágio é maior porque a maioria delas apresentam baixa mobilidade e depende de locais acessíveis, assim muitos precisam se apoiar em outros locais para se movimentar ou requerem o auxílio de cuidadores para atividades cotidianas.

Os cuidados para evitar a proliferação do novo coronavírus entre as pessoas com deficiência é fundamental em meio a pandemia.

Entre as principais instruções, além de lavar as mãos com água e sabão ou higienizá-las com álcool em gel 70%, estão a limpeza de qualquer tipo de equipamento que auxilia a locomoção, tais como, muletas, bengalas, órteses e próteses.

Algumas orientações específicas às pessoas com deficiência: 

As pessoas com deficiência que utilizam aditamentos – tais como cadeiras de rodas, muletas, órteses ou bengalas – devem lembrar-se de higienizar várias vezes ao dia e após deslocamento externo o aro propulsor da cadeira, os punhos da cadeira manual, os “joysticks” (controle) de suas cadeiras motorizadas, suas muletas e bengalas, assim como as mãos que são muito utilizadas. Para isso usa-se água e sabão, álcool a 70% ou outro produto desinfetante;

Para quem faz uso de cadeira de rodas: as mãos são portas de entrada e saída para o agente infeccioso, pois elas ficam em contato paralelo às rodas e estas em contato com o chão, o que resulta em aumento da contaminação das mãos.  Sugere-se o uso de luvas esportivas para auxílio da movimentação da cadeira de rodas. No entanto a pessoa deve lavar as mãos antes e após o uso das luvas esportivas, para evitar qualquer propagação do agente infeccioso, evitando assim a contaminação da parte interna das luvas. Mas lembre-se: ao utilizar a luva esportiva em ambientes externos, se faz necessário a lavagem das mesmas;

Deve ser frequentemente higienizado todo e qualquer equipamento ou utensílio utilizados pelas pessoas com deficiência no auxílio à realização de suas atividades diárias ou de trabalho, tais como computadores, celulares, tablets, óculos, talheres adaptados etc.

Orientações para cuidador da pessoa com deficiência e o profissional que atua em atendimento domiciliar (home care): 

Evitar ir doente à residência de seu paciente;

Se for um profissional que apoia atividades de vida diária, deve redobrar os cuidados aos pacientes que fazem parte dos grupos de risco, avaliando a necessidade de sua presença e considerando a possibilidade de delegar e capacitar um cuidador familiar;

Não exponha o paciente em passeios ou banhos de sol em locais com aglomeração de pessoas. Procure escolher horários e locais tranquilos;

Lavar as mãos com água e sabão ou usar álcool gel antes e depois de qualquer procedimento;

Sobre roupas e sapatos, o ideal é que, quando possível, o calçado seja retirado na chegada em casa. A mesma recomendação vale para toda a roupa do corpo. Depois disso, deve-se e separar esses itens para lavar. Em seguida, a orientação é que, além de higienizar as mãos, se tome um banho para que a limpeza do corpo seja completa. Assim, é possível prevenir eventuais secreções que tenham entrado em contato com a pessoa;

Use Equipamento de Proteção Individual (EPI) como máscaras, luvas e aventais. Após o uso faça o descarte adequado destes EPIs;

Higienize todos os utensílios que entram em contato direto com o paciente (há, em lojas especializadas, capinhas plásticas descartáveis para uso com os equipamentos), com álcool;

Cuidado com a exposição a secreções, exsudatos de feridas, sangue, urina e fezes;

Use capote/ avental descartável. Coloque e retire com técnica correta;

Higienize equipamentos de fisioterapia (bolas, elásticos, halteres, caneleiras etc.) utilizados com vários pacientes com álcool;

Cuidado com o uso de celulares durante a assistência ao paciente;

Ao utilizar equipamentos eletrônicos higienize com álcool isopropílico.

Procure sempre um profissional de saúde para maiores informações.

Por: Priscila de Souza, Fisioterapeuta - CREFITO: 74986-F


Referencias:

1. https://www.gov.br/mdh/pt-br/assuntos/noticias/2020-2/marco/ministerio-divulga-orientacoes-para-pessoas-com-deficiencia-contra-o-novo-coronavirus-covid-19
2. http://www.capital.sp.gov.br/noticia/onu-lancou-alerta-mundial-sobre-as-pessoas-com-deficiencia-e-o-coronavirus
3. https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/2020/04/02/coronavirus-secretaria-divulga-orientacoes-para-pessoas-com-deficiencia/.
4. https://coronavirus.saude.gov.br/sobre-a-doenca#sintomas

Explicando o coronavírus e a COVID-19



Há pouco mais de um mês o mundo praticamente parou por conta de um vilão invisível e altamente transmissível, o coronavírus. Responsável por causar a doença conhecida por COVID-19, este tem sido o maior desafio da área da saúde desde a pandemia da chamada “gripe espanhola”, que deu início em 1918 e contaminou cerca de 500 milhões de pessoas em todo o mundo. Convidamos o Dr. Ricardo Cantarim Inacio, infectologista da Equipe Increasing, para esclarecer dúvidas e explicar aspectos fundamentais do vírus. Confira o bate-papo a seguir:

O que é o coronavírus? 

Dr. Ricardo Cantarim Inacio - Coronavírus é o nome de uma família de vírus conhecidos desde os anos 1960 que tem vários integrantes. São muito importantes como vírus causadores de infecção em animais. Há relatos de sete vírus desta grande família que causam infecção em humanos, principalmente nas vias aéreas superiores. Em 2002 foi registrado o primeiro relato de um vírus desta família que causava doença pulmonar grave na China, chamado de SARS-Cov. Em 2012, no Oriente Médio, também surgiu outro vírus, também causador de pneumonia grave, o MERS-COV. Agora, em 2019, foi diagnosticado mais um vírus causador de pneumonia grave e causador desta pandemia atual, o SARS-Cov-2, e que diferente dos outros vírus tem um poder de disseminação muito grande, capaz de causar pneumonia viral moderadamente letal.

Como pode ocorrer a transmissão? 

Dr. Ricardo Cantarim Inacio - A transmissão do SARS-Cov-2, causador da COVID-19, se dá principalmente pelo ar e pelo contato com superfícies contaminadas. Pelo ar o vírus se dissemina principalmente quando alguém doente espirra ou tosse e o vírus no ar chega até as narinas ou em alguma mucosa de alguém que está de um a dois metros de distância da pessoa doente. Outra forma de transmissão é por contato, que é quando o vírus liberado pela pessoa doente fica viável em superfícies como mesa, talheres, teclados de computador, canetas e qualquer objeto. Daí o contágio pode ocorrer se uma pessoa não doente entra em contato direto com esses objetos e em seguida, com a mão sem higienizar, toca alguma mucosa, como olhos, nariz e boca.

E quais são os sintomas da doença? 

Dr. Ricardo Cantarim Inacio - A pessoa contaminada pode apresentar sintomas leves de um resfriado, como coriza, dor de garganta, dor no corpo, variando de uma tosse mais importante, chegando a falta de ar e pneumonia viral grave, o que pode levar ao óbito destes pacientes.

Como podemos nos prevenir? 

Dr. Ricardo Cantarim Inacio - Prevenindo de se contaminar com o vírus pelas formas de disseminação. Pessoas com tosse ou outros sintomas respiratórios devem fazer a higiene da tosse, como cobrir a boca com o braço ou com lenço de papel descartável ao espirrar ou tossir, higienizar as mãos após tossir ou espirrar e fazer isolamento social, ou seja, ficar em casa e não ficar perto de pessoas que não estão doentes. Também é recomendado que esta pessoa, se for ficar perto de outras, utilizar máscara comum para prevenir de disseminar a doença. Todas as pessoas devem ter o hábito de sempre higienizar as mãos e não levá-las aos olhos, bocas e nariz. Também é valioso evitar aglomerações e preferir ficar em locais arejados e com luz solar.

Há um tipo específico de tratamento para coronavírus? 

Dr. Ricardo Cantarim Inacio - Atualmente não há nenhum tipo de tratamento medicamentoso específico para o coronavírus. Alguns tratamentos têm sido testados e outras medicações têm sido estudadas, mas não há nada em definitivo. E também ainda não há vacina para a prevenção deste coronavírus. Atualmente o melhor tratamento é a prevenção de se contaminar, mencionada anteriormente.

Se houver alguma suspeita de contágio, como a pessoa deve proceder? 

Dr. Ricardo Cantarim Inacio - Observar sinais e sintomas da doença como febre e sintomas respiratórios e evitar aglomerações com outras pessoas. E se houver aparecimentos de sintomas, buscar orientações médicas.

Animais podem transmitir a doença? 

Dr. Ricardo Cantarim Inacio - Aparentemente não para este vírus, mas há relatos de alguns animais que adoeceram. Portanto cuidar dos bichinhos também é importante. Como sempre, a recomendação é higienizar as mãos antes de brincar com eles e evitar tossir ou espirrar perto deles.

Qual faixa etária corre mais risco de ser infectada? 

Dr. Ricardo Cantarim Inacio - Temos visto nos trabalhos de mortalidade e estudo da doença que pessoas mais velhas, principalmente acima dos 60 anos, são as que correm mais risco de contrair doença grave. Mas há também relatos de várias pessoas mais jovens que também apresentaram doença grave ou que ficaram muito tempo em unidades de terapia intensiva.

E como proceder em casos de gestantes? 

Dr. Ricardo Cantarim Inacio - Não há relatos que a doença seja mais grave em gestante e nem que possa passar via placentária para os fetos. Portanto o atendimento para uma gestante doente será praticamente o mesmo de uma pessoa não gestante.

E como se proteger em transportes públicos, como ônibus, trens e metrô? 

Dr. Ricardo Cantarim Inacio - Evitar aglomerações, ficar a mais de um metro de distância das pessoas, higienizar as mãos com álcool gel antes de tocar a face ou após sair do ônibus, também é válido ficar em locais mais arejados e claros. Quando possível, abras os vidros das janelas do transporte público.

Como as autoridades brasileiras têm se preparado para enfrentar a doença? 

Dr. Ricardo Cantarim Inacio - A quarentena foi uma medida importante que se viu ser eficaz na prevenção de transmissão e disseminação do vírus. Também há um esforço muito grande em se preparar os hospitais para atendimento do publico de pacientes com síndrome respiratória aguda e criação de leitos fora do hospital, como unidades de campanha para atendimento de casos de baixa e médica complexidade. Também tem sido de grande ajuda informações em meios de disseminação de massa como televisão e radio com explicações à população de como se prevenir da doença.