segunda-feira, 25 de maio de 2020

Lesão medular e Fisioterapia Cardiorrespiratória em tempos de COVID-19



A lesão medular causa impacto direto na vida do indivíduo de uma forma geral, independente do seu nível de lesão, seja ela cervical, torácica e lombar e de sua topografia tetraplegia e paraplegia. Nesses casos o fator cardiorrespiratório é um dos danos mais importantes. Sabe-se que esta deficiência adquirida reduz o trabalho cardíaco e, consecutivamente, o respiratório, promovendo assim limitação na força e na resistência de itens preponderantes para a independência diária da pessoa com lesão medular.

A Fisioterapia Cardiorrespiratória visa exatamente trabalhar estes pontos. Tange-se inicialmente a capacidade cardiopulmonar que o paciente apresenta no início das atividades, e com estas informações o profissional executa cálculos e traça o plano terapêutico, podendo objetivar exercícios específicos que visam ao aumento destas capacidades e melhora na execução de atividades da vida diária.

É importante salientar que estes indivíduos podem vir a apresentar infecções mais facilmente, por exemplo gripes e resfriados, o que ocasiona aumento de secreção pulmonar e acúmulo da mesma por não ter tosse eficiente, favorecendo assim a colonização de microorganismos e a inflamação pulmonar — descrita como pneumonia.

Podemos observar a importância e o impacto da Fisioterapia Cardiorrespiratória no cenário em que o mundo se encontra acometido pela COVID-19, infecção viral grave que pode vir a provocar Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, do inglês: “Severe Acute Respiratory Syndrome”), uma pneumonia mais agressiva que afeta a maioria do pulmão. Ela repercute com diminuição do que chamamos de ventilação pulmonar, ou seja, a entrada e saída de ar ficam diminuídas por acúmulo de secreção dentro dos alvéolos. Este acúmulo é promovido pela COVID-19 de forma rápida em algumas pessoas, podendo denotar a gravidade e, nos casos mais críticos, a morte.

Como forma de prevenção, deve-se seguir as medidas profiláticas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, como cultivar os hábitos saudáveis e manter a prática de exercícios, mesmo que à domicilio ou monitorados pelo profissional responsável.

Nos indivíduos com lesão medular, a prática de exercícios deve ser monitorada por um profissional capacitado. No caso do Fisioterapeuta Cardiorrespiratório, ele irá ajudar a manter a saúde do pulmão e do coração em dia, pois os exercícios promovem aumento do sistema imunológico, redução do trabalho cardíaco e aumento do volume de sangue expulso pelo órgão, limpeza das vias aéreas, fortalecimento dos músculos responsáveis pela respiração, ganho de volume e capacidade pulmonar; logo ganha-se em oxigenação.

O oxigênio auxilia na produção de energia e ajuda a reduzir a ação bacteriana em conjunto com o sistema imunológico. Ao colocar mais oxigênio no organismo pelos pulmões, por conseguinte, ficará mais fácil a produção de energia e o aumento de células do sistema imunológico.

Portanto, a Fisioterapia Cardiorrespiratória é fundamental para colaborar na profilaxia contra o Coronavírus, promovendo ganhos estruturais e fisiológicos no coração e pulmão dos indivíduos com lesão medular.

Por Wellington Contiero

O especialista em Fisioterapia Cardiorrespiratória da Equipe Increasing vem atuado em um grupo com o intuito de desenvolver respiradores mecânicos de baixo custo pela Universidade de Ourinhos (SP). Confira os resultados dessa a iniciativa aqui >>> https://glo.bo/2TDiJ77


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