quinta-feira, 29 de julho de 2021

Reabilitação pós COVID-19 e Fisioterapia Cardiorrespiratória

 

A COVID-19 promove lesões importantes nos tecidos pulmonares que impedem em grande parte que o oxigênio entre no organismo de forma correta para a produção de energia. 

A falta de energia interfere diretamente nos músculos e nos órgãos do nosso corpo. Logo, temos uma perda funcional importante no organismo promovida pela doença.

Dentre essas perdas, temos no sistema pulmonar a redução de força muscular respiratória, tanto dos volumes quanto da capacidade do órgão. 

No sistema cardiovascular, o paciente relata dificuldade em realizar atividades mais simples, como escovar os dentes ou tomar banho. Em casos como esses tais atos simples promovem a fadiga. 

Já no sistema musculoesquelético são observados diminuição da força, equilíbrio e limitação dos movimentos. 

O papel da Fisioterapia Cardiorrespiratória

Em cenários semelhantes ao relatado anteriormente, a Fisioterapia Cardiorrespiratória apresenta um papel fundamental para a reabilitação e sucesso de tratamento deste individuo. 

Para tanto, sua intervenção inicia-se ainda durante a fase de internação, com exercícios respiratórios, administração e controle de oxigenoterapia e, quando necessário, o uso e controle de ventilação mecânica, sempre com o objetivo de atenuar os sinais, sintomas e sequelas funcionais decorrentes da doença na fase inicial.

Com a melhora do individuo, havendo redução ou ausência dos sintomas iniciais – além da retirada das próteses ventilatórias, quando necessárias –, é iniciado um programa de reabilitação de forma intensiva. 

Este processo é conhecido como Reabilitação pós COVID, e inicia-se na alta da unidade de terapia intensiva (no caso dos indivíduos que necessitam) ou das enfermarias. O procedimento perdura até que o individuo atinja os objetivos propostos na construção do plano de tratamento.

O plano é composto de exames específicos e de uma avaliação criteriosa realizada pelo  fisioterapeuta cardiorrespiratório. 

Com o resultado em mãos, o profissional traça em conjunto com o indivíduo os objetivos e metas iniciais, a médio e longo prazo, e os meios que serão utilizados para alcançar os efeitos propostos pelo tratamento.

Este tratamento pode durar de seis semanas a aproximadamente um ano nos casos mais graves da doença. Ele é composto inicialmente por exercícios respiratórios que aumentem a força muscular, o volume e a capacidade pulmonar. Para tanto, podem ser utilizados os incentivadores respiratórios como, por exemplo, o Power Breathe®, durante os exercícios com os membros superiores e inferiores.

Havendo progresso, são incluídos exercícios mais intensos, específicos para membros inferiores e superiores, sempre associando aos exercícios respiratórios e ao uso dos incentivadores respiratórios. 

Nesta fase é inserido também, como parte da sessão de terapia, a inclusão de cicloergômetros (bicicletas) e/ou caminhadas em ambiente fechado (esteira) ou em ambiente aberto, por exemplo, em parques. 

Acompanhamento do fisioterapeuta cardiorrespiratório

Para controlar as atividades e verificar se estão promovendo o efeito terapêutico esperado, o fisioterapeuta cardiorrespiratório acompanha o indivíduo com monitoramento ostensivo da frequência cardíaca e respiratória, da pressão arterial, da saturação de oxigênio e também da fadiga – este último item pode ser medido por escalas especificas como a de Esforço Percebido de BORG, durante toda a atividade para a segurança e eficácia do tratamento. 

Estes parâmetros são calculados pelo profissional visando ao ganho de capacidade e de condicionamento cardiorrespiratório de forma individualizada. 

Com o tempo e progressão das fases estipuladas na construção do tratamento, o indivíduo é ensinado a realizar esse acompanhamento de forma remota e enviar os dados ao profissional por meio de relatórios diários, semanais ou quinzenais. Este processo é conhecido como desmame do terapeuta. 

Cabe ressaltar que este desmame é realizado na fase final do tratamento e que, além deste modelo, temos o acompanhamento remoto realizado por videoconferência (autorizada pela Resolução nº 520 do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, de 20 de março 2020). 

Na fase inicial do tratamento pode haver algumas sessões por videoconferência, mas o indivíduo precisa comparecer a sessão para monitorização, aprendizado e correção dos exercícios promovidos pelo profissional.

Portanto, a reabilitação pós COVID-19 é fundamental para reorganização e melhora das funções perdidas pela doença. O fisioterapeuta cardiorrespiratório tem os meios para reestabelecer o quanto antes tais funções. 

O Increasing oferece este tratamento todo pautado nas diretrizes e guidelines mais atuais presente na literatura mundial sobre o assunto.

Por  Dr. Wellington Contiero – Fisioterapeuta Cardiorrespiratório – CREFITO3 – 129804-F

Referências: 

AGOSTINI F, et al. Rehabilitation setting during and after Covid-19: An overview on recommendations. J Rehabil Med. 2021. PMID: 33284353

DAVIES, R.M.B et al., The Stanford Hall consensos statement for pos-COVID-19 reabilitation, BRJ Sport Med. Aug; 2020.

DE BIASE S, et al The COVID-19 rehabilitation pandemic., Age Ageing. 2020. PMID: 32470131

DRWAL KR, et al. Cardiac Rehabilitation During COVID-19 Pandemic: Highlighting the Value of Home-Based Programs. Telemed J E Health. 2020. PMID: 32552412

GRIGOLETTO I, et al.. Recovery after COVID-19: The potential role of pulmonary rehabilitation. Braz J Phys Ther. 2020. PMID: 32723665

HERMANN M, et al. Feasibility and Efficacy of Cardiopulmonary Rehabilitation After COVID-19. Am J Phys Med Rehabil. 2020. PMID: 32732746

PETERS RJG , Cardiac rehabilitation and telemedicine (and COVID-19).

. Neth Heart J. 2020. PMID: 32671651

SAKAI T, et al, Remote rehabilitation for patients with COVID-19. J Rehabil Med. 2020. PMID: 32871014

TOZATO, C et al, Reabilitação cardioplumonar em pacientes pós-COVID-129: série de casos. Ver, Bras. Terapia Inteniva, 33 (1) Jan-Mar, 2021

ZHA L, et al. Modified rehabilitation exercises for mild cases of COVID-19, Ann Palliat Med.. 2020 Sep;9(5):3100-3106