sexta-feira, 26 de julho de 2019

O que você precisa saber sobre Anestesia



Um capítulo extremamente revolucionário que viabilizou a ocorrência das grandes inovações na história recente da Medicina ainda é envolto em mistério para muita gente. Estamos falando da anestesia, um dos procedimentos mais importantes na preparação de uma cirurgia, responsável por driblar a dor e trazer mais segurança e conforto durante todo o processo.

Para tratar desse tema tão rico em informações, convidamos o time de Anestesiologistas do Increasing, formado pela Dra. Barbara Renata de Souza Pinto, Dr. Carlos Henrique de Barros Moreira Lemos, Dr. Rafael Pena Saturnino Diniz e Dr. Gutemberg de Souza Cardoso.

Quais são as técnicas e os tipos de anestesias disponíveis?

Dr. Gutemberg: Existem vários tipos de anestesia: Anestesia Geral, Anestesia Regional, Sedação/Cuidados Anestésicos Monitorizados e Anestesia Local.

Na Anestesia Geral são administrados fármacos através de um soro colocado numa veia do membro superior. Estes fármacos permitem que a pessoa permaneça inconsciente, imóvel e sem dor, durante todo o procedimento cirúrgico. É indicada para cirurgias da cabeça e do pescoço, tórax e abdómen superior. Em alguns casos, é possível complementar a Anestesia Geral com técnicas de Anestesia Regional, com o objetivo de diminuir a dor durante e após o procedimento cirúrgico.

A Anestesia Regional está dividida da seguinte forma: Raquidiana, Epidural, Sequencial e Bloqueio de Nervos Periféricos. Por meio dela pretende-se anestesiar apenas a porção do corpo a ser operada. É indicada para cirurgias do abdômen inferior, membros inferiores e membros superiores.

Na Anestesia Raquidiana é administrado anestésico local, por intermédio de uma agulha de fino calibre, no líquido que banha a medula espinhal. Neste tipo de anestesia perde-se a sensibilidade dos membros inferiores e da zona inferior do abdômen. Os membros inferiores ficam dormentes e pesados, perdendo a mobilidade. Este efeito é temporário e desaparece ao fim de duas horas, recuperando totalmente a sensibilidade e a mobilidade.

 Na Anestesia Epidural é administrado anestésico local através de um cateter colocado no espaço epidural, espaço virtual que se encontra próximo da sua medula espinhal. Neste tipo de anestesia também se perde a sensibilidade dos membros inferiores e da zona inferior do abdômen, ficando com os membros inferiores dormentes e pesados.

Nos Bloqueios de Nervos Periféricos o anestésico local é administrado ao redor dos nervos responsáveis pela sensibilidade e pelo movimento do membro onde vai ser realizada a cirurgia. Por exemplo, para uma cirurgia da mão, é possível anestesiar apenas o braço através da administração de anestésico local ao nível da axila.

Na Sedação são administrados fármacos para que fique inconsciente, imóvel e sem dor, semelhante à anestesia geral, mantendo a capacidade de respirar sem a ajuda de um ventilador.

Na Anestesia Local, pequenas doses de anestésico local são administradas em redor da lesão que vai ser removida. Este tipo de anestesia é frequentemente utilizada para remover sinais da pele. É realizada pelo Cirurgião na presença do Anestesista, que monitoriza continuamente as suas funções vitais, como os batimentos cardíacos, tensão arterial, respiração, mantendo-os normais, cuidando da manutenção do seu bem-estar e tratando toda e qualquer complicação clínica.

Como é realizada a avaliação pré-anestésica e por que esta consulta é tão importante? 

Dr. Gutemberg: A consulta ou avaliação pré-anéstesica é fundamental no prepare do paciente cirúrgico, é indispensável pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia e pelo Conselho Federal de Medicina Trata-se de uma consulta médica de avaliação clínica e especializada, realizada pelo médico Anestesiologista, que deve ser efetuada previamente à realização de um procedimento anestésico-cirúrgico marcados de forma eletiva.

Esta consulta permite ao Anestesiologista identificar problemas de saúde do paciente, suas origens e solicitar avaliação de outros especialistas, caso haja necessidade, desta forma promovendo um planejamento seguro do ato anestésico e criando um vínculo paciente-médico anestesiologista, o que diminui a ansiedade em relação à anestesia.


A avaliação pré-anestésica também proporciona aumento da qualidade do ato anestésico-cirúrgico, redução no tempo de internação, diminuição no número se suspensões e retorno mais rápido do paciente às suas funções.

Há uma diretriz específica de monitoramento de pacientes que recebem anestesia geral, anestesia regional ou sedação?

Dr. Gutemberg: Sim, esta diretriz é regulamentada pela Resolução CFM nº 2.174/2017. As condições mínimas de segurança para a prática da anestesia como tipos de monitorização do paciente e equipamentos, instrumental e materiais, e fármacos obrigatórios estão relacionados no Art. 3º.

Quais são as possíveis reações de uma anestesia?

Dra. Barbara: Embora a anestesia seja um procedimento bastante seguro, poderá ter alguns riscos associados dependentes de alguns fatores, como o tipo de cirurgia, da condição médica da pessoa e o tipo de anestesia a que foi submetido. Os efeitos colaterais mais comuns são enjoo, vômitos, dor de cabeça e alergias ao medicamento anestésico.

No caso da anestesia geral, podemos ter náuseas e vômitos, que podem ocorrer depois do paciente acordar. São frequentes, mas facilmente tratáveis. Também pode haver dificuldade de concentração e memorização, podendo se manifestar nos dias seguintes à anestesia, porém essas reações desaparecem espontaneamente.

Já os possíveis efeitos colaterais da anestesia raquidiana e/ou epidural incluem falta de ar, queda da pressão arterial, arritmias cardíacas, alergias (coceira), frio, dor de cabeça, tremores e náuseas. A anestesia local pode causar reações de intoxicação por anestésicos locais, com sinais de hipotensão, bradicardia, arritmia, sudorese, palidez, ansiedade, tontura, convulsões, depressão respiratória e até mesmo parada cardíaca.

Atualmente são muito raros os acidentes ou complicações de uma anestesia. Conhecer o paciente previamente à cirurgia através da consulta ou avaliação pré-anestésica personaliza e ajuda na prevenção de tais reações ou complicações.

Qual a diferença da anestesia infantil para a dos adultos?

Dra. Barbara: Existem vários aspectos que diferenciam a anestesia de um adulto e de uma criança. Como dizemos repetidamente no meio anestésico, a criança não é um adulto pequeno. Existem principalmente diferenças fisiológicas e psicológicas. Os medicamentos são os mesmos utilizados em adultos, o que muda é a técnica e a dosagem da aplicação. O ajuste na dosagem dos medicamentos é feito por conta da anatomia da criança.

Uma criança não pode ficar acordada durante uma cirurgia. Por isso, toda anestesia que recebe será sempre anestesia geral, mesmo que para uma cirurgia localizada. Primeiro, elas passam por uma consulta com o Anestesiologista para identificar possíveis fatores de risco. Nesta consulta, os pais também recebem orientações sobre o procedimento. Depois disso, a equipe prepara a criança para o momento da anestesia e, por fim, começa a  indução : ela respira em uma máscara com gás anestésico e vai aos poucos adormecendo.O popular “cheirinho” nada mais é que o anestésico em forma de gás, inalado junto com a respiração. A partir daí, as técnicas variam, mas geralmente a criança recebe mais anestésicos pela veia. Se a criança estiver muito nervosa, é possível que lhe seja administrado algum medicamento antes da anestesia geral. O que denominamos de medicação pré-anestésica. Isto permitirá que ela se acalme de modo a estar menos ansiosa.

Estudos comprovam que a presença de pais calmos ajuda a aumentar a colaboração dos filhos no momento da indução anestésica. Desta maneira diminui a ansiedade das crianças e reduz substancialmente os riscos de agitação e alterações de comportamento ao despertar.

Como a tecnologia tem auxiliado na Anestesiologia?

Dr. Rafael: A anestesia segura e confiável que possuímos atualmente tem relação direta com a evolução tecnológica. Em grande parte, isto deve-se ao desenvolvimento de medicamentos com menor perfil de efeitos colaterais aliado aos modernos aparelhos de monitoramento dos sinais clínicos dos pacientes submetidos a anestesia.

Considerando a história da Medicina, a técnica da anestesia é relativamente recente, apesar de bastante desenvolvida. O que ainda pode ser aprimorado?

Dr. Rafael: A medicina é uma ciência que está em constante evolução. Portanto, é presumível que novos medicamentos ainda mais seguros sejam desenvolvidos, bem como, métodos ainda mais modernos e inócuos de monitoramento dos sinais clínicos durante o período perioperatório.

Quais são as orientações e os cuidados a serem destacados antes do procedimento cirúrgico. 

Dr. Carlos: Nenhum procedimento cirúrgico/anestésico é isento de risco. A fim de mitigá-los, há uma série de cuidados e procedimentos padrão adotados antes de qualquer cirurgia, além de procedimentos e preparos específicos determinados por particularidades de cada caso, seja por particularidades do paciente, como doenças prévias ou alergias, ou seja por particularidades do procedimento cirúrgico, como preparo de intestino, dessensibilização ou fisioterapias.

Apesar de tudo isso, tem-se como praxe e prerrogativa da anestesia, o jejum pré-operatório, tradicionalmente de oito horas antes do horário agendado para a cirurgia no que se refere a alimentos sólidos e duas horas de jejum para água. Além disso, medicamentos anticoagulantes, popularmente chamados de remédios para afinar o sangue, devem ser suspensos com antecedência, que varia de acordo com o remédio; e os remédios para diabetes – orais ou insulina – devem ser suspensos no dia da cirurgia em virtude do jejum.

O que o Increasing tem a oferecer na área da Anestesiologia?

Dr. Carlos: O Increasing conta com quatro Anestesiologistas de excelente formação teórico-prática, perfeitamente habilitados e capacitados para realizar as mais diversas anestesias, seja para procedimentos simples ou complexos, em qualquer especialidade, trabalhando em perfeita sintonia com a equipe cirúrgica, a fim de proporcionar a melhor experiência possível para o paciente, seguindo todos os preceitos nacionais e internacionais de segurança e excelência. Dispomos de horários para consultas pré-anestésicas, tratamento de dor aguda peri-operatória ou crônica, bem como seguimento clinico pós-operatório em pacientes de casos mais complexos com internação prolongada e/ou em UTI.