sexta-feira, 15 de março de 2019

Em entrevista, Dra. Lisandra Machado desmistifica aspectos da incontinência urinária



No Brasil, aproximadamente 10 milhões de pessoas convivem com a incontinência urinária. Apesar de muitas vezes ser associada ao envelhecimento, essa disfunção pode vir a ocorrer em todas as fases da vida. E mesmo sendo algo comum – mas nunca normal –, o assunto é considerado por muita gente um tabu. Para desmistificar e nos manter informados sobre essa condição, conversamos com a fisioterapeuta e membro do Increasing, Dra. Lisandra Machado. Confira a entrevista:

- O que é a incontinência urinária e quais são os principais sintomas?

A incontinência urinária é caracterizada pela perda involuntária de urina e pode acometer tanto homens quanto mulheres. A prevalência aumenta com o avanço da idade, embora possa ocorrer em qualquer fase da vida.

De acordo com os sintomas de cada paciente, podemos classificar a incontinência urinária em três tipos principais. A incontinência urinária de esforço é o tipo mais comum. Ocorre quando há perda de urina durante um esforço qualquer, como ao levantar peso, ao tossir, ao espirrar ou ao praticar exercícios físicos. Em casos de incontinência urinária de urgência, a perda de urina ocorre devido a um desejo repentino e urgente de urinar, em que a pessoa não consegue chegar ao banheiro a tempo. Já a incontinência urinária mista é quando a perda ocorre nas duas situações, ou seja, aos esforços e associada à urgência urinária.

- Poderia enumerar os fatores de risco?

O principal fator de risco para o surgimento da incontinência urinária é a idade avançada, embora nunca deva ser vista como uma condição normal, mesmo entre os idosos. Entre as mulheres, a gestação também pode ser um importante fator de risco, sendo queixa de até 40% das gestantes ou das mulheres no pós-parto. Além destes, constipação intestinal crônica, obesidade, tabagismo, traumas cirúrgicos na região pélvica e algumas doenças crônicas (diabetes, doenças neurológicas ou musculares, entre outras) também se associam a uma maior incidência de incontinência urinária. Também há muitos relatos de perda urinária entre mulheres jovens e sem filhos, principalmente aquelas que praticam exercícios físicos intensos, levando-as até mesmo ao abandono da prática esportiva.

- E entre os homens, há algum agravante?

Nos homens, a incontinência urinária frequentemente aparece após cirurgias da próstata, como a ressecção transuretral e a prostatectomia radical, variando conforme o tipo e a técnica cirúrgica. Alguns pacientes melhoram espontaneamente dos sintomas, entretanto outros permanecem com as perdas urinárias, necessitando do uso de forros absorventes.

- Qual é o impacto dessa condição na vida das pessoas?

Estima-se que até 10 milhões de brasileiros convivam com a perda de urina diariamente, mas a grande maioria deles sofre em silêncio. A incontinência urinária ainda é considerada um tema tabu, visto que é reportada a profissionais da saúde em apenas 25% dos casos.

Esta condição pode causar um profundo impacto na qualidade de vida por provocar constrangimento, baixa autoestima, depressão, isolamento social, além de afetar negativamente a vida sexual. Na população idosa, em que a incontinência urinária é erroneamente considerada um mal inerente ao envelhecimento, pode levar a uma maior dependência funcional e imobilidade, bem como a um maior risco de desenvolver infecções urinárias, devido ao uso prolongado de fraldas especialmente em idosos institucionalizados.

- Incontinência urinária tem cura? Quais são os principais tratamentos possíveis?

Incontinência urinária tem cura sim. A escolha de tratamento depende de um bom diagnóstico e da gravidade dos sintomas relatados pelo paciente. A primeira opção de tratamento é a fisioterapia pélvica. Realizados sempre por um fisioterapeuta especialista em reabilitação do assoalho pélvico, os exercícios buscam identificar e fortalecer a musculatura que sustenta a bexiga, garantindo um maior controle da função urinária. O tratamento é simples, não invasivo e sem contraindicações. Quando o paciente não responde ao tratamento fisioterapêutico ou quando os sintomas de incontinência são muito severos, pode-se lançar mão de terapia medicamentosa ou de procedimentos cirúrgicos. Todos estes tratamentos visam à cura ou, por vezes, à redução das queixas de perda urinária, proporcionando ao paciente uma melhor qualidade de vida.

- Como prevenir?

Além dos exercícios de fisioterapia pélvica, que também podem ser realizados como uma forma de prevenção, a prática de hábitos saudáveis de vida pode evitar o surgimento da incontinência urinária, como controle do sedentarismo e da obesidade, melhora da constipação intestinal e interrupção do tabagismo.

- Como o Increasing está preparado para atender este tipo de necessidade?

Além da equipe médica qualificada para avaliar e diagnosticar este problema, o Increasing conta com o serviço de fisioterapia pélvica, com profissional sempre atualizado na área. Através de sessões individuais, respeitando a intimidade e o bem-estar de cada paciente, com abordagens técnicas e os melhores equipamentos, podemos proporcionar o que há de mais avançado em termos de tratamento de incontinência urinária.

Perder urina é muito comum, mas nunca deve ser considerado normal. Há prevenção e cura para este problema. E a equipe Increasing está à disposição, buscando sempre o melhor para cada paciente.