quinta-feira, 7 de outubro de 2021

Terapia ocupacional e o atendimento ao cuidador


De modo geral, o cuidador é o indivíduo que presta cuidados ao enfermo, sendo que pode ou não ter vínculo familiar. Em muitos casos, a figura do cuidador se faz fundamental e imprescindível para que a pessoa que requer cuidados tenha uma rotina mais confortável. Porém, a rotina de atividades desse trabalho é desgastante por vários motivos, e essas pessoas também precisam de atenção.

Para se ter uma ideia, uma pesquisa da farmacêutica Merck apontou que, das pessoas que cuidam de um familiar que está lutando contra alguma doença, 53% declararam se sentir cansados na maior parte do tempo e 46% contaram não ter uma brecha na agenda para marcar ou comparecer às próprias consultas médicas. Além disso, 61% assumiram que precisam de atendimento em decorrência de sua saúde mental e dois a cada cinco cuidadores admitiram colocar o bem-estar do paciente acima do seu. 

De fato, é preciso também observar como está a saúde do cuidador. Para esclarecer alguns pontos sobre este tema, conversamos com a Dra. Talita Peripato (CREFITO-3: 17.966-TO), especialista em Terapia Ocupacional da Equipe INCREASING. Acompanhe:

De modo geral, quem é o cuidador e quais são as suas funções?

Dra. Talita Peripato - Cuidador é o sujeito que oferece auxílio ao paciente nas ocupações, desde as atividades de vida diária, como banho, vestuário e alimentação, até nas atividades extradomicílio, tais como comparecer a consultas, exames, entre outras. Além disso, o cuidador pode ser formal, o qual possui formação específica para favorecer os cuidados e é remunerado, ou cuidador informal, e neste caso, na maioria das vezes, trata-se de uma pessoa que possui algum grau de parentesco com o sujeito.

Como pode ser definida a sobrecarga do cuidador e quais são os sintomas a nível físico e emocional?

Dra. Talita Peripato - Devido à sobrecarga dos cuidados, ser cuidador pode acarretar inúmeros impactos na saúde do próprio cuidador, gerando desgaste físico, emocional e/ou social.

Sobre os sintomas, considerando o nível físico, podemos observar a presença de dores constantes, as quais podem se tornar dores crônicas se não receberem os cuidados adequados, tais como bursite, tendinite. Em alguns casos mais graves, alguns profissionais chegam até a desenvolver hérnias discais.

Já no nível emocional, podem ser observadas alterações de humor, como irritação constante, choro frequente, sensação de esgotamento e outras alterações correlacionadas, podendo até chegar a desenvolver a Síndrome de Burnout, também conhecida como ou Síndrome do Esgotamento Profissional, que é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante. Por isso é sempre bom frisar que o acompanhamento psicológico é muito importante para esses profissionais.

Quais são os cuidados necessários para que o cuidador não venha a desenvolver uma sobrecarga?

Dra. Talita Peripato - Existem muitos cuidadores que realizam extensas jornadas de trabalho, o que pode ajudar em muito no desgaste da saúde mental, física e social. Assim, é primordial que haja condições favorecedoras e um local de trabalho adequado ao cuidador com foco na ergonomia e atenção aos horários de trabalho e de descanso. Além disso, é importante que o cuidador tenha consciência do próprio corpo e que sempre esteja prestando atenção aos aspectos emocionais, identificando e sinalizando os próprios limites para favorecer a adequação das condições próprias de trabalho.

Como avaliar a sobrecarga do cuidador?

Dra. Talita Peripato - Existem escalas e avaliações específicas, como o Questionário de Avaliação da Sobrecarga do Cuidador Informal, Escala de Zarit, entre outras. Porém, os sinais e sintomas podem ser observados principalmente no dia a dia com o cuidador.

Como aliar o trabalho do cuidador com a TO (Terapia Ocupacional)? Como isso pode ajudar na melhoria do paciente?

Dra. Talita Peripato - O terapeuta ocupacional pode realizar treinos de posicionamento ao cuidador e paciente durante as AVDs (Atividades da Vida Diária), sempre buscando a prevenção de dores e tendinites. Aliás, quando o cuidador está saudável e satisfeito, os cuidados podem de fato se tornar mais eficazes e melhores para o paciente, favorecendo a qualidade de vida de ambos.

Quais adaptações no domicílio podem ser implementadas para que o esforço do cuidador seja amenizado?

Dra. Talita Peripato - Existem adaptações que favorecem a diminuição da sobrecarga física do cuidador, tais como os elevadores e guinchos de transferências, cadeira de banho, adaptações para que o paciente consiga se vestir e comer sozinho, técnicas como a colocação de lençol na região do quadril de pacientes acamados a fim de favorecer a mudança de decúbito no leito de maneira mais leve. São muitas adaptações que podem ser empregadas.

O que o INCREASING pode oferecer no âmbito da Terapia Ocupacional?

Dra. Talita Peripato - Nos atendimentos de terapia ocupacional, ao incentivarmos e treinarmos o paciente a obter o maior nível de independência possível nas atividades de vida diária e demais ocupações, consequentemente também favorecemos a diminuição da sobrecarga do cuidador, visto que, quanto mais independente o paciente estiver, menor a necessidade de cuidados constantes.