segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Câncer de próstata: polimorfismos e o papel dos vegetais crucíferos


Os principais mecanismos envolvidos na carcinogênese do câncer de próstata estão relacionados ao estresse oxidativo, à inflamação e também aos receptores androgênicos.

Vários outros aspectos, como fatores dietéticos, inflamatórios e outros relacionados à idade estão ligados diretamente ao estresse oxidativo e ao prejuízo nesse balanço entre oxidantes e antioxidantes que estão no corpo. 

Em resposta aos distúrbios antioxidantes, ou seja, quando falamos sobre um estresse oxidativo maior, normalmente nosso corpo atende com um aumento do fator de transcrição importante, que é o Nrf2, que induz a uma expressão maior de genes com potencial antioxidante, incluindo os membros da glutationa S-transferase, uma superfamília de glutationas (ou seja, um grupo de enzimas antioxidantes hidrossolúveis, reconhecido como o tiol não protéico mais importante nos sistemas vivos).   

Entretanto, uma das principais alterações genéticas observadas no câncer de próstata é o polimorfismo desse gene da glutationa S-transferase gstp1. Essa isoenzima metabólica é importante por ser implicada na defesa antioxidante e na detoxificação que se dá principalmente contra carcinógenos. Dessa forma, ela tem um papel importante na carcinogênese.

Uma grande parte dos pacientes com câncer de próstata apresenta uma alteração desse gene, ou seja, a enzima não tem uma atividade adequada antioxidante no câncer de próstata. Existem alterações no padrão de metilação, que é o termo usado em ciências químicas para denominar a ligação ou substituição de um grupo metila sobre vários substratos. Aliás, a metilação é o principal processo epigenético para manter a estabilidade do genoma.

Essas alterações podem ocorrer como hipermetilação, que vai acarretar em uma redução da expressão dos genes da glutationa S-transferase gstp1, e teoricamente trata-se de um silenciamento. Em outros casos também pode ocorrer a hipometilação de alguns genes com superexpressão.


Glutationa S-transferase e a alimentação

Essa enzima protege o material genético, e um padrão de hipermetilação vai diminuir a atividade da enzima, e permitirá a exposição maior a genotóxicos carcinogênicos. Essa vulnerabilidade está muito associada ao risco do câncer de próstata. 

Os principais alimentos ou nutrientes que podemos utilizar para modular e melhorar a atividade desse gene são vegetais crucíferos, tais como:

  • brócolis;
  • couve; 
  • couve-flor;
  • repolho;
  • agrião;
  • rabanete;
  • nabo;
  • rúcula.

Todos esses são produtores de enxofre. Eles têm três compostos extremamente importantes para modular essas respostas: glicosinolato, indol-3 e carbinol. 

Portanto, a ingestão desses alimentos é muito importante quando há um polimorfismo nesse gene. Entretanto, como a enzima glutationa S-transferase é formada por um tripeptídeo (peptídeos formados pela união de três aminoácidos), se faz necessária a ingestão de proteínas adequadas para que haja a síntese dessa enzima. Ela é formada pelos aminoácidos glutamina, cisteína e glicina. 

Vale lembrar que determinados indivíduos podem necessitar de uma intervenção ou uma suplementação especial.

Por Dra. Adriana Garófolo (CRN: 10744)