quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Dra Renata de Toledo Petrilli comenta sobre o tratamento multiprofissional no combate ao câncer




Qualquer tratamento oncológico sempre exige bastante atenção. Isso porque o câncer é uma do complexa, se manifesta de diversas maneiras. E para conseguir traduzir a necessidade de cada paciente em uma terapia eficaz é preciso alto nível de expertise e comprometimento, qualidades indispensáveis em uma equipe multiprofissional. 

Convidamos a Coordenadora de Psicologia do Increasing, Dra. Renata de Toledo Petrilli, para falar um pouco sobre esse trabalho coletivo e seus vários aspectos em casos de Oncologia.

- Como o tratamento multiprofissional pode fazer a diferença para o paciente oncológico?

O paciente oncológico é considerado um paciente de alta complexidade. A doença é grave e o tratamento é longo, desgastante e invasivo. A equipe multiprofissional tem capacidade de compreender as necessidades do paciente e construir um planejamento de atuação que seja completo e eficiente. Cada profissional envolvido deve ter capacitação técnica elevada e habilidade para se comunicar com os colegas de trabalho, com o paciente e familiares. A equipe trabalhando integrada soma esforços e aplica as condutas com maior rapidez. Assim, a velocidade do acesso às informações relevantes sobre a saúde física e mental do paciente é muito maior. Os problemas tendem a ser minimizados com a possibilidade de construção de condutas individualizadas.

- Nesses casos, como é formada a equipe multiprofissional?

Em geral, centros de referência em tratamento contam com equipe multiprofissional em função das próprias necessidades do paciente. Em um hospital, o médico é o responsável pelo paciente e divide a responsabilidade com os demais profissionais na medida em que ganha confiança da equipe. Quando isso acontece, rapidamente passa-se a fazer os devidos encaminhamentos, porque os benefícios são visíveis e o trabalho fica muito mais tranquilo de ser realizado.

- Qual é o procedimento usual no tratamento oncológico? Por quais etapas o paciente deve passar?

As pessoas podem ainda achar que câncer é uma única doença, mas isso é um equívoco. São inúmeras as doenças oncológicas e funcionam diferentemente quando acometem crianças, adolescentes, adultos e idosos. A maioria dos tipos de câncer necessitam de quimioterapia, cirurgia e ainda radioterapia, sem falar em todos os tratamentos de suporte para controle de imunidade, de infecções, desnutrição, entre outros, e em alguns casos, do transplante de medula óssea. Logo após o diagnóstico, o paciente recebe um plano de tratamento a ser iniciado imediatamente, e segue o plano a depender das intercorrências que encontra no caminho.

- Quais são os maiores desafios para quem trabalha com uma equipe multiprofissional?

A meu ver o maior de todos os desafios é a habilidade para sustentar-se no grupo, ou seja, a comunicação. Trabalhar em grupo é completamente diferente que trabalhar sozinho, pois sua conduta e postura profissional é exposta diante dos demais. O profissional deve desenvolver a capacidade de tradução de sua atividade técnica específica para alguém de uma área distinta do conhecimento, sempre que este solicite ou que haja necessidade. Uns pacientes exigem mais da equipe do que outros, e é nesses casos mais difíceis que o grupo aprende solucionar problemas de forma mais amplas.

- Como enxerga a importância do acolhimento psicológico para um paciente oncológico?

O acolhimento psicológico é fundamental. Diria até que se trata de um tratamento psicológico, que deve ser dado desde o impacto do diagnóstico. O psicólogo não trabalha com a dicotomia entre mente e corpo, não faz essa divisão. Sabemos que as questões psíquicas são depositadas sobre o organismo constantemente, e o corpo de um paciente oncológico já é suficientemente sobrecarregado. Um outro foco do trabalho do psicólogo é justamente a comunicação, pois vem com sua formação em ciências humanas, é capaz de explicitar problemas que não estão evidentes, mas que causam sofrimento. Esse trabalho também deve ser feito entre os profissionais, que nem sempre têm acesso para eliminar os obstáculos que a falta de comunicação traz.

- O que o paciente deve perguntar para seu médico sobre a doença?

A pergunta que mais incomoda não é essa, o que incomoda a todos é saber o que o médico deve falar a seu paciente. Isso porque o paciente pode perguntar absolutamente tudo o que ele quiser, e se ele perguntar bastante já facilita o trabalho de responder. Mas qual é a medida que se deve dar o diagnóstico é um enigma, porque cada paciente reage de uma maneira. O interessante é que no início, o paciente tenha um panorama geral da situação em que ele se encontra, e que possa renovar as conversas com a equipe de saúde, sempre que for necessário. Uma quantidade de informações para cada etapa permite uma maior organização subjetiva do paciente, desde que ele tenha esse panorama geral das questões mais importantes. Conforme a evolução do tratamento, novas informações são sendo atualizadas. Isso, para evitar que o paciente entre em um estado de angústia paralisante, que pode ocorrer diante do excesso de novidades. A confiança acontece quando o canal de comunicação existe e é sincero.

- Quando falamos em câncer, qual é a importância do diagnóstico precoce?

O tratamento do câncer pode ser menos invasivo quanto mais cedo se descobre a doença, e está altamente relacionado às chances de sobrevida e cura.

- O que o Increasing oferece para o paciente oncológico?

No Increasing iremos encontrar profissionais altamente qualificados para a reabilitação de todas as funções necessárias que foram alteradas em função da doença ou do seu tratamento, ou ainda na realização de um trabalho profilático, para evitar devidas perdas. A equipe conta com médicos, enfermeira, fisioterapeutas, nutricionista, psicólogos especialistas no tratamento médico e não farmacológico da dor. Uma equipe que se propõe a discutir os casos clínicos semanalmente, avaliando e repensando as condutas de forma individualizada.