sexta-feira, 24 de julho de 2020

Aspectos gerais da Fisiatria



Existem algumas patologias e condições de ordem física ou psíquica que podem causar prejuízo à autonomia do paciente, tornando-se complicada a realização de algumas atividades do cotidiano. E dentro dessa conjuntura está a Fisiatria, especialidade médica responsável pela avaliação, tratamento e reabilitação de pessoas que venham a apresentar enfermidades ortopédicas e/ou neurológicas.

Para compreender a importância dessa área, convidamos para um bate-papo a Dra. Flavia Kuhn, fisiatra e membro da Equipe Increasing. Confira:

O que é Fisiatria ou Medicina Física e de Reabilitação (MFR)?

Dra. Flavia Kuhn: Se você não sabe o que é Fisiatria não tem problema. Acredito que até a minha família ainda esteja tentando entender o que eu faço. Trata-se de uma especialidade médica que não se limita a um único sistema ou órgão, e por isso é tão difícil defini-la. Os fisiatras buscam a melhora da função e da qualidade de vida de um paciente frente a alguma incapacidade. Lideramos equipes multidisciplinares com abordagens centradas na pessoa, visando alcançar o maior potencial de cada paciente.

Quando um paciente deve procurar um médico fisiatra ou MFR?

Dra. Flavia Kuhn: Qualquer pessoa em qualquer fase da vida que apresente dificuldades ao desempenhar as atividades do seu dia a dia deve procurar um fisiatra. A reabilitação lida com as consequências de problemas de saúde que podem limitar o indivíduo a viver a vida normalmente. Atendemos aqueles pacientes que, por exemplo, têm problemas no trabalho e nos relacionamentos devido à dor crônica, e também aqueles que por uma sequela neurológica se tornaram totalmente dependentes de um cuidador.

Como o fisiatra pode auxiliar na melhora da qualidade de vida do seu paciente?

Dra. Flavia Kuhn: A Fisiatria não tem como meta única a cura de doenças. Cuidamos de pessoas. No diagnóstico e no tratamento, levamos em consideração não somente o bem estar físico como também o bem estar emocional e social de cada paciente. Dentre as condutas do fisiatra estão a prescrição de medicações, terapias, procedimentos e implementação de tecnologias assistivas, tais como cadeira de rodas, órteses e próteses.

Qual a atuação do fisiatra ou MFR na medicina musculoesquelética?

Dra. Flavia Kuhn: As doenças inflamatórias agudas, como as tendinites, lombalgias e recuperações após fratura são uma parte importante do nosso trabalho. Quando há um processo inflamatório ou uma fratura, além da eventual cirurgia e da medicação, é importante intervir na área da reabilitação. É competência da fisiatra trabalhar a recuperação funcional do paciente que, por exemplo, teve uma fratura no braço e depois de tirar o gesso apresenta fraqueza muscular, dor e dificuldade para mover alguma articulação.

Qual o papel do fisiatra ou MFR no tratamento no lesado medular?

Dra. Flavia Kuhn: A lesão medular pode ser congênita, causada por um acidente, um tumor ou uma simples hérnia de disco. Muitas vezes a vida se transforma de maneira abrupta e um indivíduo previamente independente se vê em uma condição de extrema vulnerabilidade. Uma lesão na medula é capaz de causar perda de movimentos, rigidez, alteração de sensibilidade, dor, alterações da bexiga e intestino, alterações na função sexual, entre outras complicações.

O fisiatra pode atender ao paciente com lesão medular em fase aguda ou crônica da lesão. Juntamente ao paciente e equipe multidisciplinar, irá traçar o plano terapêutico objetivando ganho de independência, prevenção de complicações, suporte emocional e reintegração social.

Como pode o fisiatra ou MFR intervir em disfunções do assoalho pélvico?

Dra. Flavia Kuhn: Na área das disfunções do assoalho pélvico, a Fisiatria trabalha em parceria com a Ginecologia, Urologia e Gastroenterologia. A pelve é uma região central e muito importante do corpo. A alteração do funcionamento da musculatura pélvica pode levar a problemas como incontinência urinária e fecal, dor crônica, disfunção sexual entre outros sintomas capazes de causar grande impacto na qualidade de vida da pessoa.

A reabilitação do assoalho pélvico inclui o treino do controle voluntário e a melhora da força e tonicidade muscular dos músculos pélvicos trabalhadas com um fisioterapeuta, equipe de enfermagem para avaliação das funções fisiológicas e educação em saúde, e equipe de psicologia para avaliação de humor e suporte emocional.

No contexto atual da pandemia do COVID-19, qual o papel do fisiatra?

Dra. Flavia Kuhn: Atualmente as sequelas mais graves e prolongadas são observadas em pessoas com versões mais severas da doença, que cursaram com entubação e longos períodos na UTI. O pulmão é o principal órgão afetado pela COVID-19. Na prática clínica estamos vendo pacientes com sequelas pulmonares meses após se recuperarem da doença causada pelo novo coronavírus. Outra consequência negativa é a fraqueza muscular. Pacientes que passaram por um tempo prolongado de internação podem evoluir com perda de massa magra e dificuldades para realizar atividades simples como se vestir, escovar os dentes ou se alimentar. No caso destes pacientes, a reabilitação e a atenção multidisciplinar são aspectos de extrema importância.

O que o Increasing tem a oferecer para quem precisa da Fisiatria?

Dra. Flavia Kuhn: O Increasing oferece cuidado integral e tem toda infraestrutura para receber o paciente que necessita de reabilitação. Possuímos uma equipe médica multidisciplinar completa, experiente e coesa. No Increasing pensamos no paciente como um ser humano inteiro e complexo. Pensamos no paciente como um indivíduo, cujas experiências de vida fizeram dele quem ele é, e não como um resultado de teste ou uma imagem de raio-x. Enfim, pensamos no paciente!