quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Nutrição e câncer de próstata: prevenção, dicas e tratamento


A alimentação saudável, a manutenção do peso e o exercício físico são aspectos fundamentais na prevenção do câncer de próstata. 

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), de cada 100 casos de câncer no Brasil, 13 estão associados ao sobrepeso e à obesidade. Além disso, há evidências científicas de que alguns alimentos auxiliam na proteção do organismo, enquanto outros aumentam as chances do desenvolvimento da doença.  

Aproveitando o Novembro Azul, conversamos com a Dra. Adriana Garófolo, nutricionista da Equipe Increasing, que nos esclareceu uma série de aspectos fundamentais da prevenção e do tratamento do paciente com câncer de próstata. Confira: 

Qual é a importância da Nutrição para alguém que está passando por tratamento? 

Dra. Adriana Garófolo - Pacientes diagnosticados com câncer de próstata devem receber acompanhamento nutricional, principalmente em decorrência dos efeitos adversos possíveis dos efeitos da terapia hormonal e da radiação pélvica, como a enterite actínica e a disfunção esfincteriana. Tudo isso pode causar inflamação sistêmica e um profundo impacto degenerativo na composição corporal, como a redução da massa magra e o aumento da massa gorda.  

O que não pode faltar na dieta de um paciente diagnosticado com câncer de próstata? 

Dra. Adriana Garófolo - Não existe nenhum alimento específico que vai combater o câncer durante o tratamento. Entretanto, o que é imprescindível para o paciente diagnosticado com câncer de próstata é o acompanhamento nutricional, principalmente em decorrência dos efeitos adversos. A dieta deverá ser adaptada à situação atual de cada paciente, sempre priorizando a alimentação saudável. Quando necessário, poderá haver alguma suplementação. 

Alimentos ricos em licopeno podem ajudar a prevenir o câncer de próstata?  

Dra. Adriana Garófolo - Sim, o licopeno possui ações antioxidantes, anti-inflamatórias e antitumorais. Existem evidências de que alguns alimentos ricos em licopeno (tomate, melancia, mamão, cenoura, caqui etc.) podem ter um efeito anticarcinogênico, atuando na prevenção de vários cânceres, entre eles o câncer de próstata. O aquecimento de alguns alimentos como o tomate e a cenoura, por exemplo, pode aumentar a biodisponibilidade do licopeno. 

O consumo de carne vermelha pode favorecer o desenvolvimento dessa doença? 

Dra. Adriana Garófolo - Não está claro se o consumo de carne vermelha pode influenciar diretamente a carcinogênese. Entretanto, o consumo excessivo de alimentos de origem animal, o excesso de gordura saturada e de calorias na dieta e, principalmente, o excesso de gordura corporal, podem ter efeitos negativos no desenvolvimento e na progressão da doença. 

E as bebidas alcoólicas? 

Dra. Adriana Garófolo - Normalmente não devem ser consumidas, pois além de poderem interferir com alguns fármacos, elas têm um alto valor calórico. Com isso o álcool pode reduzir a absorção de nutrientes pelo intestino, principalmente vitaminas do complexo B, além de levar a outros prejuízos no metabolismo.  

Refrigerante é de fato um vilão nesses casos? 

Dra. Adriana Garófolo - Refrigerantes são produtos pobres em nutrientes e ricos em vários compostos não saudáveis, que podem impactar negativamente. Além disso, também constam na composição os açúcares ou edulcorantes, que não são indicados em excesso. Por isso, o ideal é não consumir esses produtos com frequência, mas apenas esporadicamente. 

É verdade que aquecer alimentos ou adicioná-los quentes a recipientes plásticos pode aumentar o risco de câncer? 

Dra. Adriana Garófolo - Essa prática pode aumentar a liberação do bisfenol A, um componente químico de plásticos e outros materiais. A interferência substancial no equilíbrio hormonal por desreguladores endócrinos, como o bisfenol, pode causar doenças graves da próstata, incluindo hiperplasia prostática benigna e câncer durante a vida adulta e idosa. 

Evidências crescentes indicam que o bisfenol A tem não apenas o potencial de perturbar o equilíbrio endócrino ao afetar a síntese e o metabolismo hormonal, mas também pode desempenhar um papel na indução do câncer. O melhor é evitar o contato dos alimentos quentes em recipientes plásticos, especialmente o aquecimento no microondas, preferindo os de vidro, também para o armazenamento. 

Após o tratamento, o paciente pode voltar aos hábitos alimentares que tinha ou deve seguir uma nova dieta? 

Dra. Adriana Garófolo - O ideal é que o paciente mantenha hábitos de vida saudáveis, como alimentação, atividade física e outras práticas saudáveis, visando reduzir o risco de recidiva da doença ou mesmo um novo câncer. 

E qual é o impacto da atividade física na prevenção? 

Dra. Adriana Garófolo - A atividade física tem um importante papel na prevenção do câncer, bem como durante e após o tratamento. A terapia hormonal pode aumentar os riscos de perda muscular e ganho de gordura corporal em pacientes com câncer de próstata, além de outras alterações no metabolismo, o que torna a prática de atividade física importante durante esse contexto. 

O exercício físico leve e moderado pode melhorar as respostas imunológicas, promover um melhor perfil da microbiota intestinal, melhorar a massa magra, controlar o armazenamento excessivo de gordura corporal e reduzir os efeitos adversos da terapia antineoplásica. O exercício aeróbico de intensidade moderada e o treinamento de resistência demonstraram amenizar a fadiga associada ao tratamento do câncer e melhorar a qualidade de vida em homens sobreviventes do câncer de próstata. Não havendo contraindicação clínica durante o tratamento, o exercício de intensidade leve é o mais indicado. 

A manutenção do IMC (índice de massa corpórea) é um fator a ser considerado? 

Dra. Adriana Garófolo - Sim. A gordura corporal em excesso é um fator negativo para as complicações durante o tratamento, pois aumenta a inflamação corporal e está associada a um pior prognóstico. Oposto a isso, a manutenção da massa magra (tecido muscular) pode reduzir os efeitos adversos dos tratamentos, favorecer o prognóstico e melhorar a qualidade de vida. 

Quais outras dicas alimentares são valiosas para quem deve se prevenir? 

Dra. Adriana Garófolo - Evitar excesso de ganho de peso, realizar controles de glicose sérica e manter uma alimentação com maior porcentagem de alimentos vegetais do que aqueles de origem animal. Sabe-se que o excesso de gordura corporal, especialmente a gordura abdominal, está associado ao maior risco da doença. Essas condições exacerbam o risco de alterações nos níveis de glicose e lipídios no sangue, e aumentam os riscos de hiperinsulinemia, que, da mesma forma que a obesidade e as doenças metabólicas, estão associadas ao desenvolvimento do câncer de próstata.