quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

O que é LION? (parte 2): a equipe médica e multiprofissional



Para atingir o potencial máximo do procedimento LION, é necessário um trabalho multiprofissional integrado e especializado, com profissionais das mais diversas áreas e treinamento específico para a utilização do neuroestimulador implantado, atuando de forma coordenada.

No Increasing a equipe de reabilitação dos pacientes LION é composta pelas seguintes especialidades: Neuropelveologia, Fisiatria, Fisioterapia Neurofuncional, Fisioterapia Aquática, Fisioterapia Pélvica, Fisioterapia Motora, Fisioterapia Cardiorrespiratória, Terapia Ocupacional, Cardiologia, Psicologia, Nutrição e Enfermagem.

Neuropelveologia

Os médicos da equipe de Neuropelveologia avaliam os pacientes e as indicações da realização do procedimento para cada caso; implantam, programam os neuroestimuladores e integram a equipe multiprofissional. 

Suas funções consistem em orquestrar as informações transmitidas por todos os profissionais envolvidos no cuidado com o paciente para elaborar um plano terapêutico individualizado, voltado para as necessidades especificas para a evolução do tratamento de cada paciente. 

Desta forma, são os responsáveis finais por todo o tratamento e, além de coordenar a execução do plano terapêutico, acompanham o funcionamento do neuromodulador, realizando reprogramações de acordo com as demandas. Também monitoram a função urinária e intestinal, intervindo quando necessário. 

Fisiatria

O fisiatra é o médico especialista no diagnóstico e tratamento de incapacidades físicas e funcionais. No caso de pacientes com lesão medular, atuam juntamente com a equipe de Neuropelveologia na avaliação inicial do paciente e na indicação do procedimento LION, bem como na elaboração do plano terapêutico e na coordenação da equipe para uma atuação de forma global e integrada. 

No caso de pacientes sem indicação do LION, o fisiatra é o responsável por todo o processo de reabilitação, cuidando de questões médicas específicas da reabilitação, tais como o controle da dor, supervisão do tratamento dos distúrbios intestinais e urinários, da disreflexia autonômica, dificuldades de deglutição, marcha e movimento, bem como no controle da espasticidade e na educação do paciente sobre sua doença. 

Fisioterapia Neurofuncional 

A Fisioterapia Neurológica — também conhecida como Fisioterapia Neurofuncional — tem como objetivo unir técnicas e conceitos dentro da Fisioterapia com o intuito de recuperar movimentos parcialmente perdidos e/ou recuperar os movimentos de forma adaptada visando à promoção da independência funcional. 

Especificamente no caso dos pacientes submetidos ao procedimento LION, a equipe de Fisioterapia Neurofuncional também treina o paciente para aplicar os movimentos gerados pelo neuroestimulador na sua vida diária, dando utilidade prática a esses movimentos, aumentando a independência do paciente, promovendo a melhora da qualidade de vida e a reinserção do indivíduo na sociedade. 

Fisioterapia Aquática 

A Fisioterapia Aquática é um dos recursos da Fisioterapia Neurofuncional. Utiliza-se as propriedades da água (empuxo, arrasto, temperatura e pressão hidrostática) para viabilizar exercícios específicos, além de favorecer o ganho de amplitude de movimento, força e resistência muscular, bem como o encorajamento das atividades funcionais em diversas posturas, consequentemente a independência para a realização de movimentos mais complexos em terrenos firmes e com gravidade plena. 

Além disso, auxilia na redução da espasticidade e de contraturas por meio de atividade muscular específica na água aquecida.

Fisioterapia Pélvica 

A Fisioterapia Pélvica é uma modalidade fisioterapêutica que tem como objetivo tratar as disfunções miccionais, evacuatórias e sexuais, proporcionando ao paciente melhor funcionalidade, independência e qualidade de vida.

A neuromodulação do nervo pudendo abre possibilidades únicas para a reabilitação pélvica de pessoas com lesão medular, uma vez que permite a criação de programas para exercícios dos músculos do assoalho pélvico, que até então não eram possíveis nesta população de pacientes.

A Fisioterapia Pélvica age, portanto, otimizando os ganhos proporcionados pela neuromodulação pudenda.

Fisioterapia Cardiorrespiratória 

A Fisioterapia Cardiorrespiratória tem como objetivo melhorar a função pulmonar, aumentando a força dos músculos respiratórios, os volumes e capacidades pulmonares. Além de proteger contra doenças como pneumonia e atelectasia, previne a perda da função cardíaca, melhora o condicionamento físico durante a reabilitação e atividades de vida diária. 

A Fisioterapia Cardiorrespiratória também é capaz de auxiliar no controle e no ajuste da pressão arterial, diminuindo assim a incidência dos sintomas de vertigem (tontura), pressão baixa (hipotensão) e síncopes (desmaios). Além disso, a musculatura respiratória tem papel essencial na estabilização do tronco. 

Assim, quando associada à Fisioterapia Neurofuncional e aos programas específicos do neuromodulador, a Fisioterapia Cardiorrespiratória acelera o restabelecimento da bipedestação (capacidade de ficar em pé) e da marcha.

Terapia Ocupacional 

A Terapia Ocupacional tem como objetivo permitir que o indivíduo atinja seu potencial máximo, retomando a vida social, atividades de lazer e ocupacionais. Sua atuação consiste em prescrever e orientar exercícios suaves de estiramento muscular, trabalhar a amplitude dos movimentos articulares, fortalecer grupos musculares específicos e promover o ganho de função dos membros superiores por meio de exercícios específicos e prescrição de órteses e adaptações.

Um dos focos principais da Terapia Ocupacional é o treino das atividades diárias essenciais como vestuário, alimentação e higiene, manejo de cadeira de rodas e transferências.

No caso específico dos pacientes submetidos ao LION, a Terapia Ocupacional tem papel central na adaptação e no treinamento para a utilização dos estímulos gerados pelo neuromodulador em suas atividades do cotidiano.

Nutrição

O bom estado nutricional e a adequação da alimentação contribuem para a saúde global das pessoas, para a manutenção ou melhora da função intestinal, para otimizar a cicatrização de feridas cirúrgicas ou úlceras por pressão (escaras) e facilitar o controle de doenças associadas, como hipertensão arterial (pressão alta), dislipidemias (colesterol alto) e diabetes. 

O acompanhamento nutricional no paciente com lesão medular é, portanto, essencial. O nutricionista cria, juntamente com o paciente, um plano alimentar individualizado, focado em suas preferências alimentares, com o objetivo de fornecer quantidades adequadas de nutrientes, otimizando o ganho de massa muscular induzido pelo NMD e diminuindo o risco de complicações associadas à lesão medular.

Psicologia 

Para que a reabilitação seja bem sucedida, o corpo e a mente têm de estar em equilíbrio. O psicólogo ajuda o paciente a perceber manifestações comportamentais e afetivas que interferem no seu processo de reabilitação, no manejo de suas expectativas e eventuais frustrações. Também ajuda o paciente a manter o foco na reabilitação, não permitindo que influências externas atrapalhem sua evolução. 

A Psicologia também é essencial para empoderar o indivíduo com ferramentas para lidar com as emoções negativas desencadeadas por fatores como lesão medular, disfunções urinárias, sexuais e motoras, lesões corporais, processos dolorosos e outros sintomas corporais. 

O acompanhamento é feito ao longo de todo o processo de forma obrigatória, seja para monitorar e prevenir o aparecimento de desequilíbrios emocionais ou para ajudar o paciente a resolvê-los. 

Para isso realiza-se um trabalho de comunicação específico, esclarecendo expectativas e possibilidades do tratamento, fortalecendo o vínculo de confiança com a equipe e a motivação do paciente para com o tratamento, a fim de garantir que haja força de vontade e disciplina necessárias para atingir seu máximo potencial. 

Enfermagem 

A Enfermagem tem papel essencial no acompanhamento em vários aspectos da vida e da saúde do paciente com lesão medular. 

No tratamento das disfunções urinárias, é o enfermeiro quem orienta o paciente sobre a escolha e utilização das sondas de forma, tamanho e modelo adequados, visando à melhor higiene e adaptação à rotina do paciente, além da independência, prevenção de infecções urinárias e complicações do cateterismo intermitente. 

Quando a continência não é alcançada, é por meio da Enfermagem que orienta-se a escolha de fraldas, cremes e outros acessórios para a prevenção de complicações e melhor adaptação à vida com incontinência.

A Enfermagem também atua na educação do paciente, de cuidadores e de familiares a respeito da prevenção e tratamento de lesões de pele (escaras), além de orientações de autocuidado e higiene. 

Na terceira parte desta série abordaremos as fases do tratamento LION. Fique de olho, não deixe de acompanhar o nosso conteúdo!