sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Exercícios respiratórios para a pessoa com lesão medular



O traumatismo raquimedular (TRM) é o comprometimento temporário ou definitivo das funções motoras e sensitivas caracterizado como parcial ou completo. Estes danos são mais graves na medida em que a lesão ocorre mais próxima do cérebro, aumentando desta forma o grau de dependência nas atividades gerais pela inabilidade motora.

Os indivíduos acometidos por esta lesão apresentam uma redução importante da atividade pulmonar por dois motivos: ou pela interrupção em nível medular dos impulsos nervosos do cérebro para os músculos responsáveis pela respiração (inspiração), ou por redução das atividades físicas que ocorrem desde a fase de hospitalização até o início da reabilitação.

A maioria dessas pessoas apresentam dificuldades para realizar tarefas simples como empurrar a cadeira de rodas ou lavar uma louça, e em casos mais graves, apresentam até dificuldade para falar frases mais longas. 

Estas dificuldades estão relacionadas à redução dos volumes e capacidades pulmonares, na oxigenação e na produção de energia pelas células, que são fatores observados pela fadiga e intolerância ao esforço físico relatados.

Para tanto, a Fisioterapia Cardiorrespiratória dispõe de diversos meios para reduzir os danos causados pelo TRM, dentre eles temos os exercícios respiratórios. Eles podem ser  realizados de forma isolada durante a fase de aprendizado ou quando o paciente não suporta uma carga mais intensiva de exercício. Outra forma de aplicá-los é combinando com outros exercícios, por exemplo, treinando com o cicloergômetro em membros superiores.

Técnicas e exercícios respiratórios 

Os exercícios mais utilizados durante o treino respiratório são: 

Respiração profunda - Promove adequado controle respiratório em geral, assim como o aprimoramento da capacidade pulmonar. Fornece energia aos músculos durante o estresse físico e os exercícios, e também desempenha um grande papel no sucesso do treinamento pelo seus benefícios obtidos. 

Respiração diafragmática - A respiração diafragmática, ou “respiração abdominal”, envolve o diafragma, que deve fazer a maior parte do trabalho pesado quando se trata de respirar. A técnica é particularmente útil em pessoas com doenças obstrutivas e restritivas como o TRM,  pois o diafragma não é tão eficaz nesses indivíduos e pode ser fortalecido corroborando na melhora da fadiga e da dispneia (falta de ar). 

Respiração de lábios franzidos - Desacelera a respiração, reduzindo o trabalho respiratório ao manter as vias aéreas abertas por mais tempo. Isso facilita o funcionamento dos pulmões e melhora a troca de oxigênio e dióxido de carbono. Este exercício de respiração costuma ser mais fácil para os iniciantes do que a respiração diafragmática.

Inspiração fracionada - A inspiração fracionada é recomendável para aumentar a capacidade de elasticidade dos pulmões (complacência). Ela é realizada por pequenos movimentos inspiratórios somados até a capacidade máxima pulmonar sem realizar a expiração durante o ciclo. Ao completar a inspiração, basta soltar o ar devagar. Deve-se  aumentar a quantidade de pausas e inspirações, de acordo com o progressivo aumento da capacidade pulmonar.

Técnicas de respiração abreviada - Este exercício, assim como a inspiração fracionada, ajuda a aumentar a capacidade pulmonar, a elasticidade e a trabalhar melhor as regiões subutilizadas do pulmão. Ela é semelhante à abreviada, porém, é realizada soltando o ar em pequenas quantidades entre as fases inspiratórias.

Ainda, como meio de incrementar a força, resistência pulmonar e muscular pode-se associar o uso de incentivadores respiratórios como o Power Breathe®, triflo®, trhreshold IMT®, ventilação com pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP), ventilação com pressão positiva intermitente (RPPI). Estes meios ajudam no ganho de volumes, capacidades, complacência, resistência pulmonar e muscular, muito utilizados quando há dificuldades no ganho dos itens anteriormente descritos somente com os exercícios.

Estas técnicas, além de promoverem a melhora pulmonar e o recrutamento muscular, promovem também redução do estresse, aumento da resistência aeróbia, da digestão, da pressão arterial, do controle da falta de ar, melhora na recuperação da fadiga e da dispneia pós exercício.

Portanto, os exercícios respiratórios  são extremamente benéficos para os indivíduos com trauma raquimedular, pois melhoram não só a capacidade pulmonar e cardíaca, como também colaboram no aprimoramento das funções do cotidiano, em seu desempenho durante a reabilitação e em sua melhora como um todo. 

Por Dr. Wellington Contiero - CREFITO-3: 129.804-F